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quarta-feira, 26 de maio de 2021

Adam Vinatieri anuncia a aposentadoria após 24 temporadas

Maior kicker de todos os tempos tem 48 anos (foto: Stacy Revere/Getty Images)


O kicker só entra em campo em poucas oportunidades durante uma partida de futebol americano. Quando ele vai chutar para tentar um extra point ou um field goal, ou no kickoff de início da partida, também usado após cada pontuação. Por isso, muitas vezes eles passam despercebidos aos nossos olhos, pois quando a TV o mostra durante a partida, se você piscar, já perde sua aparição em campo. Mas há as suas exceções. E Adam Vinatieri é mais do que uma exceção.

Nesta quarta-feira, 26 de maio, Vinatieri, no alto de seus 48 anos de idade, decidiu se aposentar de vez da NFL, em anúncio dado ao podcast "Pat McAfee Show". O jogador é mais do que apenas um kicker, é alguém que imortalizou o seu nome na história da National Football League com os seus chutes, e que jogou profissionalmente por 24 temporadas. Mais: é o kicker com maior número de títulos de Super Bowl, e em duas das quatro oportunidades em que foi campeão da liga, foi o autor dos field goals decisivos que deram o título. 

Adam Vinatieri se tornou atleta profissional em 1996. Ou seja, provavelmente você que está lendo este texto era criança nesta época, como eu, ou nem era nascido. Após ter jogado no futebol americano universitário por South Dakota State, Vinatieri deixou os Estados Unidos para jogar no Amsterdam Admirals, time holandês que pertencia à NFL Europe, liga europeia da NFL que deixou de existir em 2007. Mas ainda em 1996, o New England Patriots o contratou.

Em seu período em Foxboro, Vinatieri conquistou junto com o quarterback Tom Brady e o técnico Bill Bellichick os três primeiros Super Bowls. Em 2002, ainda nos Playoffs, o kicker anotou o field goal da vitória sobre o Oakland Raiders, em um jogo dramático de baixo de muita neve, em que até chutar já era algo muito difícil. Poucas semanas depois, no Super Bowl XXXVI, Vinatieri acertou o field goal que deu o primeiro Troféu Vince Lombardi à franquia, nos últimos segundos do duelo contra o Los Angeles Rams. Dois anos depois, em 2004, o kicker novamente apareceu para o chute da vitória, no Super Bowl XXXVIII, contra o Carolina Panthers. No ano seguinte, o Patriots conquistou o Super Bowl pela terceira vez, mas neste caso, não foi com um chute de Vinatieri ao fim do cronômetro. 

Vinatieri converteu dois field goals da vitória em Super Bowls 



A era em New England se encerrou ao final da temporada de 2005, quando se juntou ao Indianapolis Colts, de Peyton Manning. Em 2007, jogou e foi campeão de seu quarto Super Bowl, o XLI, anotando extra points e field goals na partida contra o Chicago Bears. Foi o seu último título da carreira, mas ao longo dos anos, seguiu como peça fundamental para o desenvolvimento da franquia. Jogou pelo Colts até a temporada de 2019, quando uma lesão no joelho o tirou do restante da competição, e de toda a temporada 2020. 

Os números do jogador impressionam, diante de tantas marcas notáveis, e que são recordes na história da NFL. É o atleta com mais pontos convertidos, sendo 2.673; anotou 599 field goals. Também registra o maior número de pontos convertidos em Playoffs, sendo 238; e é o responsável pelo maior número de field goals acertados durante a prorrogação, em 12 oportunidades. 

Agora aposentado, resta saber o que será da vida de Vinatieri, se seguirá como treinador de jovens kickers na escola ou no futebol americano universitário, ou se seguirá na NFL como assistente técnico ou comentarista de TV. Mas uma coisa é certa: seu nome provavelmente estará no Hall da Fama da NFL daqui a alguns anos. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Maratona NFL – Temporada 3, episódio 29 – Comentários finais sobre a temporada 2020/21



Aproveitamos a Quarta-feira de Cinzas para gravar o último Maratona NFL da temporada 2020/21. Se neste ano não tivemos folia por causa da pandemia da Covid-19, fechamos a era que seria das festividades de Carnaval em anos não pandêmicos para o nosso podcast. 

E neste fim de festa, nada de choradeira, ou de lamentações. Encerramos a temporada em grande estilo. Neste podcast, Carlos Oliveira e Ruan Nascimento trazem as últimas notícias ligadas à liga, além de comentar sobre os premiados da temporada que se encerrou no último dia 7 de fevereiro. Nesta semana, Mia Mastrocolo não pôde participar, mas não podia deixar de mencioná-la por sua presença ao longo da temporada, e também por estar na equipe fixa do podcast.

Além de opiniões sobre os melhores da temporada, nossos apresentadores comentaram sobre a demissão de JJ Watt do Houston Texans; e os nossos prêmios, voltados aos melhores ou piores em determinadas categorias, com aquela pitada de humor. Não foi possível comentar sobre a troca do quarterback Carson Wentz para o Indianapolis Colts pelo fato de esta movimentação ter ocorrido após a gravação do programa. O podcast foi gravado na quarta-feira, 17, e a notícia de Wentz saiu na tarde desta quinta-feira, 18.

Ouça o podcast conosco, pelo Spotify, pelo Itunes ou em demais plataformas, através do Anchor. Ou, se preferir, ouça abaixo. 

Carson Wentz é trocado para o Indianapolis Colts

Jogador defendeu o Philadelphia Eagles por cinco temporadas (foto: Derik Hamilton/AP)

O Philadelphia Eagles trocou o quarterback Carson Wentz para o Indianapolis Colts nesta quinta-feira, 18 de fevereiro. A informação foi confirmada através do repórter da ESPN norte-americana Adam Schefter, e confirmada por repórteres da NFL Network, o canal de notícias da NFL. 

Wentz será o novo QB de Indianapolis, que estava à procura de um jogador na posição desde que Philp Rivers, titular em 2020, anunciou a sua aposentadoria em janeiro. O jogador de 28 anos terá um novo destino em sua carreira para esta temporada no Colts, que envia para a Philadelphia a sua escolha de terceira rodada no Draft de 2021, e mais uma escolha condicional de segunda rodada no Draft de 2022, que pode virar uma primeira rodada.

A condição para que esta escolha envolvida na troca se torne uma primeira rodada é se Wentz jogará pelo menos 75% das jogadas ofensivas do time em 2021, ou se fará parte de 70% delas, com o time se classificando aos Playoffs. 

Com a chegada do jogador ao Colts, a equipe herda o contrato que ele tinha com o Eagles. Em 2019, a equipe da Philadelphia renovou o vínculo com Wentz, em US$ 128 milhões em salários, pagos por quatro anos. Com a saída dele, o Eagles não precisará arcar com os custos restantes deste contrato, e ainda libera espaço no seu teto salarial para reforços em outras posições. 

Carson Wentz foi a segunda escolha geral do Draft de 2016 pelo Philadelphia Eagles Seu melhor momento na carreira foi em 2017, quando foi forte candidato a ser o MVP da liga até sofrer uma lesão. Na mesma temporada, foi campeão do Super Bowl LII, mas sem jogar. No ano passado, perdeu espaço após constantes desempenhos ruins, e foi para o banco de reservas, substituído pelo calouro Jalen Hurts, que ficará como titular do Eagles.

Leia também:

A ascensão, queda e futuro de Carson Wentz

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Maratona NFL – Temporada 3, episódio 24 – Expectativas para as finais de conferência e análise dos novos técnicos na NFL



O Maratona NFL desta semana fala, principalmente, das finais de conferência da NFL, que serão no próximo domingo, 24 de janeiro. Mia Mastrocolo, Carlos Oliveira e Ruan Nascimento debateram sobre quais serão os pontos de importância nos duelos entre Green Bay Packers e Tampa Bay Buccaneers, e entre Kansas City Chiefs e Buffalo Bills.

Além disso, o programa também comenta outros assuntos, como: a aposentadoria de Philip Rivers; as contratações dos novos técnicos do New York Jets, Los Angeles Chargers e Detroit Lions; a nomeação da árbitra Sarah Thomas para atuar no Super Bowl LV – a primeira mulher a atuar na arbitragem em uma decisão da NFL; entre outros assuntos.

Ouça conosco no Spotify, no Apple Podcasts ou em demais plataformas, pelo Anchor.

Ou, se preferir, ouça abaixo. 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Philip Rivers anuncia a sua aposentadoria da NFL após 17 temporadas

Rivers deixa a carreira profissional como o quinto com mais passes para TD e mais jardas lançadas (foto: Troy Taormina/USA Today Sports)


Um dos principais quarterbacks da NFL nos últimos 17 anos anunciou que pendurará as chuteiras a partir de agora. Philip Rivers, de 39 anos de idade, deixará os gramados. O agora ex-quarterback do Los Angeles Chargers e do Indianapolis Colts confirmou a informação nesta quarta-feira, 20 de janeiro, em entrevista para o repórter Kevin Acee, do jornal The San Diego Union-Tribune's. 

Rivers deixa o futebol americano com algumas marcas notáveis. Foi oito vezes selecionado para o Pro Bowl, Comeback Player of the Year da NFL em 2013, líder em jardas lançadas na temporada de 2010, líder em passes para touchdown na temporada de 2008, entre outras marcas. Além disso, o quarterback encerra a sua carreira como o quinto com mais jardas lançadas, 63.440, o quinto em passes para TD na história da NFL, com 421, atrás apenas de Tom Brady, Drew Brees, Peyton Manning e Brett Favre. 

Sua carreira iniciou pela universidade de North Carolina State, no futebol americano universitário. Seu desempenho por lá, entre 2000 e 2003, o credenciou para ser um dos principais prospectos de quarterbacks para o Draft da NFL de 2004. Apesar de ter se consolidado como um jogador do San Diego/Los Angeles Chargers, a ida para a equipe residida na California só se deu por conta de uma atípica situação. Originalmente draftado pelo New York Giants, Rivers foi trocado para o Chargers, pois o também quarterback Eli Manning foi selecionado pela franquia de San Diego (na época), e deixou bem claro que não queria jogar lá.

Até 2019, Rivers foi o quarterback do Chargers (foto: David Eulitte/Getty Images)


Apesar da chegada na NFL em 2004, só virou titular a partir de 2006, após a saída de Drew Brees para o New Orleans Saints. Rivers nunca perdeu um jogo como titular no Chargers. O melhor ano do time com o seu comando na posição foi na temporada de 2007, quando o time foi até a final da AFC, ficando pelo caminho a um jogo de ir para o Super Bowl. Ao longo deste caminho, faltou o título de Super Bowl, e faltou até mesmo ter um elenco melhor para atuar junto, assim como também deu o azar de não ter um treinador melhor.

Rivers consolidou sua vida em San Diego. Morava na cidade com sua esposa e seus nove filhos mesmo depois da temporada de 2016, quando o Chargers se mudou para Los Angeles – a cerca de 300 km de San Diego. Porém, o desempenho da franquia, e dele, individualmente, já não era dos melhores. E na última offseason, em 2020, ficou claro que a relação entre Rivers e o Chargers chegaria ao final. Inicialmente se acreditava que a aposentadoria viria no ano passado, mas o Indianapolis Colts deu uma última chance ao jogador, e o contratou.

Em sua última temporada como profissional, passou para 4.169 jardas, 24 touchdowns e 11 interceptações, sendo um dos principais nomes do Colts, que se classificou aos Playoffs. Seu último jogo foi no Wildcard, contra o Buffalo Bills, em que passou para 309 jardas e dois touchdowns, na derrota da equipe de Indianapolis por 27 a 24. 

Ainda não se sabe qual será a vida de Rivers após a aposentadoria, se irá ocupar algum outro cargo ou se apenas ficará com sua grande família. Mas a saída do camisa 17 da NFL representa que estamos cada vez mais próximos da saída de todos os principais QBs que brilharam nos anos 2000. Já foi assim com Peyton Manning, Tony Romo, Brett Favre e será assim com outros que ainda jogam, como Drew Brees e Tom Brady. Mas faz parte do ciclo de qualquer esporte, as partidas de ídolos do passado, e a chegada de futuros grandes jogadores.

domingo, 10 de janeiro de 2021

Bills, Rams e Buccaneers abrem a rodada tripla dos Playoffs com vitória

Bills voltou a vencer um jogo de Playoffs pela primeira vez após 25 anos (foto: Getty Images)

Pela primeira vez na história, a abertura dos Playoffs da NFL teve a realização de três jogos em um único dia. A rodada de Wildcard, a primeira fase da pós-temporada, começou neste sábado, 9 de janeiro, com a realização de três dos seis confrontos agendados para o final de semana, efeito do aumento no número de participantes dos mata-matas, de 12 para 14 equipes ao todo. 

O caminho até o Super Bowl LV, marcado para o dia 7 de fevereiro, no Raymond James Stadium, em Tampa, na Florida, começou com quebra de tabus e também com surpresas, mesmo entre os derrotados. Buffalo Bills, Los Angeles Rams e Tampa Bay Bucccaneers venceram seus respectivos jogos contra Indianapolis Colts, Seattle Seahawks e Washington Football Team. 

Caso tenha perdido algum lance ou estatística, nos parágrafos a seguir, você vai ver estatísticas e fatos marcantes de cada um dos primeiros duelos do Wildcard. Foram mais de nove horas de puro futebol americano, e neste domingo, 10, serão mais nove horas de mata-mata a pleno vapor.

Bills quebra tabu de 25 anos, aproveita erros do Colts, e vence na abertura dos Playoffs

Josh Allen foi o destaque do Bills na vitória sobre o Indianapolis Colts 

A partida de abertura da pós-temporada envolveu logo de cara um dos favoritos da NFL, o Buffalo Bills. Jogando em casa nos Playoffs pela primeira vez desde 1996, por ter sido o campeão da AFC Leste, a equipe venceu o Indianapolis Colts por 27 a 24. O nome do confronto foi mais uma vez o quarterback Josh Allen, com suas 324 jardas e dois touchdowns, além de correr também para um TD. Apesar do favoritismo, o Bills sofreu por diversos momentos com a forte pressão defensiva do Colts, mas ao final do confronto, foi o time de Buffalo quem levou a melhor.

Quem abriu o placar foi o Colts com um field goal de Rodrigo Blankenship, mas logo na sequência, saiu o primeiro touchdown do jogo, em passe de Josh Allen para Dawson Knox. Já pelo segundo quarto, Indianapolis anotou o seu primeiro TD, com corrida do running back Jonathan Taylor. Foi também nos últimos minutos antes do intervalo que os erros do Colts começaram a pesar para o resultado final. Tudo começou quando, a poucas jardas da endzone, o time resolveu arriscar uma quarta descida para ampliar a vantagem que tinham, sem sucesso. Na última posse do Bills, Josh Allen fez ótimos passes, principalmente para Gabriel Davis. A campanha terminaria em um field goal se não fosse um erro bobo da defesa de Indianapolis, em uma falta de offside – quando um atleta de linha ofensiva avança a linha de scrimmage antes do snap que dá início à jogada. Na sequência, Buffalo virou o jogo com o touchdown corrido de Josh Allen.

Na volta do intervalo, com o placar em 14 a 10, o Bills já saiu ampliando a sua vantagem, mas desta vez com um field goal do kicker Tyler Bass. Na sequência, o Colts comandou uma campanha longa, que durou mais da metade do terceiro quarto, mas a defesa de Buffalo impediu o touchdown, e Indianapolis deixou o ataque de forma frustrante, pois Blankenship chutou na trave o field goal. 

Pelo último período, Buffalo tratou de encaminhar a vitória, graças ao talento de Josh Allen. Ele fez um ótimo passe de 35 jardas para Stefon Diggs anotar o TD e deixar a vantagem em 14 pontos. Rapidamente, o Indianapolis Colts reagiu, e o veterano quarterback Philip Rivers lançou o seu primeiro passe para TD, ao jogador Zach Pascal. Nem diminuindo a vantagem a equipe deixou de cometer erros, já que o técnico Frank Reich resolveu arriscar a conversão de dois pontos, sem sucesso. Na sequência, o Bills ampliou no placar com um field goal, deixando o jogo em duas posses. Os minutos finais seguiram eletrizantes, já que o ataque de Indianapolis anotou mais um TD, em passe de Rivers ao tight end Jack Doyle. Desta vez a conversão de dois pontos deu certo. 

Faltavam poucos minutos e a defesa do Colts demorou para conseguir frear o ataque do Bills, mas conseguiram. Houve ainda uma última campanha de Indianapolis, na qual Rivers lançou uma Hail Mary para tentar a virada no desespero, mas foi sem sucesso. Assim, o Buffalo Bills venceu por 27 a 24, quebrou um tabu de 25 anos sem vitórias nos Playoffs, e por ter sido o segundo melhor da AFC, já garante o mando de campo no Divisional Round. Eliminada, a equipe de Indianapolis pode ter de procurar um novo quarterback nesta offseason, pois Philip Rivers, com 39 anos, talvez anuncie a sua aposentadoria.

Defesa anula Russell Wilson, e Rams surpreende Seahawks fora de casa

Quarterback do Seahawks foi sacado cinco vezes pela defesa do Rams (foto: Steph Chambers/Getty Images)

Jogando em casa, mesmo sem torcida, o Seattle Seahawks era tido como favorito contra o Los Angeles Rams. Além disso, o time adversário começaria o jogo sem o seu quarterback titular, pois Jared Goff quebrou o dedo polegar da mão direita há duas semanas. Mas o que Seattle não esperava é que a forte defesa do Rams, liderada pelo defensive end Aaron Donald, frearia qualquer ação do Seahawks, para comandar a vitória por 30 a 20. 

A defesa fez cinco sacks em cima do quarterback Russell Wilson, dois deles aplicados por Aaron Donald. Além disso, o Rams também anotou uma interceptação retornada para touchdown. No ataque, o calouro running back Cam Akers foi o destaque, correndo para 131 jardas e um touchdown. E mesmo lesionado, Goff, que começou o jogo como reserva, não comprometeu, completando nove passes para 155 jardas e um TD. Já Wilson, outrora favorito para ser o MVP de 2020/21, completou apenas 11 passes, para 174 jardas, dois touchdowns e uma interceptação.

A poucos minutos do jogo começar, o técnico do Rams, Sean McVay, confirmou que John Wolford seria o quarterback titular. O ex-jogador da AAF (liga alternativa à NFL que existiu por uma única temporada, em 2019) faria o seu segundo jogo como titular na NFL – o primeiro foi justamente na semana 17 desta atual temporada. Mas logo no começo da partida, Wolford precisou ser substituído. Ele entrou no protocolo de concussão em uma jogada em que caiu e chocou sua cabeça com a de um defensor de Seattle. Ele precisou ser levado a um hospital para a realização de exames. Com isso, Goff voltou a ser o titular. 

Por todo o primeiro quarto e por boa parte do segundo período, as defesas dominavam sem muito brilho. O Rams vencia por 6 a 3, até o turnover que definiria quem lideraria o placar até o final do jogo. Russell Wilson lançou a bola nas mãos de Darious Williams, que retornou 42 jardas para anotar o primeiro touchdown da partida. Mas na sequência, Wilson teve um bom momento, quando lançou um passe longo, de 51 jardas, para DK Metcalf anotar o touchdown. Poucos minutos depois, o Rams voltou a deixar o confronto em 10 pontos de vantagem, com o touchdown terrestre de Cam Akers. 

O Seahawks teve a primeira posse de bola do segundo tempo, mas o time não conseguia pressionar a ponto de encostar no placar, e só diminuiu com um field goal. Por quase todo o período, as duas equipes alternaram posses de bola sem fazer muita coisa, até o Rams colocar mais três pontos na liderança do placar. No último quarto, a equipe de Los Angeles tratou de definir a partida com um touchdown em passe de Jared Goff para Robert Woods. Ainda houve tempo para o Seahawks diminuir em um TD lançado por Wilson para DK Metcalf, mas a desvantagem no placar era muito longa para o pouco tempo que ainda restava.

Tom Brady brilha em vitória do Buccaneers fora de casa

Time não vencia nos Playoffs desde 2003 (foto: CBS Sports)


Apesar do favoritismo, o Tampa Bay Buccaneers sofreu diante do Washington Football Team no último jogo deste sábado, mas venceu por 31 a 23. O destaque vai para o quarterback Tom Brady, que no alto dos seus 43 anos, venceu mais um jogo de Playoff, o primeiro vestindo uma camisa que não fosse a do New England Patriots. Brady passou para 381 jardas e dois touchdowns. A vitória também marca o fim de um jejum de 18 anos sem triunfos da equipe de Tampa nos Playoffs – a última vez que isso havia acontecido tinha sido no Super Bowl XXXVII, em 2003, quando o time conquistou o seu único título. 

A vitória apertada surpreende, uma vez que Washington não foi à campo com Alex Smith como quarterback titular, por conta de uma lesão. O time da capital dos Estados Unidos atuou com Taylor Heinicke na posição, e jogou bem, mesmo este sendo o seu segundo jogo como titular na NFL, e pouco mais de um mês depois de ter sido contratado por sua atual franquia. Heinicke passou para 306 jardas, um touchdown e uma interceptação,  além de um TD terrestre.

Desde o início, o Buccaneers liderou no placar, primeiro com um field goal do kicker Ryan Succop, e depois com um touchdown passado por Tom Brady para um jogador o qual não mencionamos seus lances devido às acusações de estupro que enfrenta. Mas logo Washington mostrou que não ficaria para trás no placar, e anotou o seu primeiro TD, em corrida do running back JD McKissic. No segundo quarto, Tampa Bay ampliou em outro touchdown, este em passe de Brady para Chris Godwin, e depois com outro field goal.

Já pelo terceiro quarto, perdendo por 18 a 7, Washington passou a reagir, primeiro com um field goal de Dustin Hopkins. Depois, forçando um fumble em Keshaun Vaughn, para na sequência garantir mais um touchdown, em insana corrida de Taylor Heinicke. No último período, o Buccaneers reagiu através de um field goal, e ampliou ainda mais a vantagem graças a um touchdown terrestre de Leonard Fournette. Washington tentou reagir com mais um TD, agora em passe de Heinicke para Steven Sims, mas nos minutos finais, mais um chute de Succop deu números finais à partida, vencida por Tampa Bay por 31 a 23.

Mais três jogos completam a rodada

Neste domingo, outras três partidas dão continuidade ao Wildcard. Às 15h05, o Tennessee Titans recebe o Baltimore Ravens. Na sequência, às 18h40, o New Orleans Saints enfrenta o Chicago Bears. E no horário das 22h20, o Pittsburgh Steelers jogará contra o Cleveland Browns.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Maratona NFL – Temporada 3, episódio 22 – Prévia do Wildcard, Browns afetado pela pandemia e problemas em Houston



Depois de uma semana de pausa, o Maratona NFL, o nosso podcast feito em parceria entre Ruan Nascimento, Carlos Oliveira e Mia Mastrocolo, volta com tudo para analisar a rodada de Wildcard, que é a abertura dos Playoffs da NFL.

No programa, os apresentadores discutiram sobre cada um dos confrontos da liga, dando palpites em cada um dos seis jogos que abrem os mata-matas da temporada 2020/21 (o calendário estará ao final deste texto). Além de reforçar a preocupação com o Cleveland Browns, que irá para o seu jogo contra o Pittsburgh Steelers sem diversos jogadores, infectados por Covid-19, incluindo o técnico Kevin Stefanski. A equipe está sem treinar desde o último domingo, quando venceu justamente o Steelers na semana 17, pelo placar de 24 a 22, confirmando o seu retorno aos Playoffs desde a temporada 2002/03.

Leia também: o que esperar dos seis confrontos de Wildcard

Entre outros assuntos, o podcast comenta as demissões de técnicos após o final da temporada, casos de Los Angeles Chargers, Jacksonville Jaguars e New York Jets, que estão à procura de substitutos. E também, o programa repercute o clima pesado que há no Houston Texans há alguns dias. A equipe contratou Nick Caserio para o cargo de general manager, e o quarterback Deshaun Watson não gostou da decisão. Segundo o repórter da NFL Ian Rapoport, Watson queria que o elenco fosse ouvido pela direção da franquia para a escolha do novo GM, o que não aconteceu. O próprio QB registrou seu descontentamento pelo Twitter.

E também, no começo do programa, deixamos a nossa solidariedade às famílias e amigos dos mais de 200 mil brasileiros que morreram de Covid-19. O podcast foi gravado no dia 7 de janeiro, data em que o Brasil atingiu esta triste marca, e ainda com a desesperança de não sabermos quando a vacinação começa no País, e com alta média de novos casos e óbitos.

Ouça o Maratona NFL conosco, pelo Spotify, Apple Podcasts e em demais plataformas, pelo Anchor. Ou, se preferir, pode acompanhar logo abaixo. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Vem aí a rodada de Wildcard: o que esperar dos seis confrontos deste final de semana

O caminho até o Super Bowl LV começará a ser trilhado

Neste sábado e domingo, dias 9 e 10 de janeiro, começam os Playoffs da NFL, com a rodada de Wildcard. Nela, entram em campo 12 dos 14 times que se classificaram à pós-temporada, com a exceção de Green Bay Packers e Kansas City Chiefs, por terem sido os melhores colocados de suas respectivas conferências, a Nacional (NFC) e a Americana (AFC). E a regra é muito simples, é vencer ou vencer. Quem levar a melhor nos seis confrontos deste final de semana, avança ao Divisional Round, e se junta a Packers e Chiefs. Agora, quem perder, estará fora da temporada, e terá de pensar no próximo ano. 

E neste janeiro de 2021, pela primeira vez a NFL terá seis jogos no Wildcard, isso porque em março do ano passado, a liga aprovou o aumento de vagas para a pós-temporada. Agora são sete times por conferência, e não mais seis como era até o ano passado.

Destes jogos, você confere abaixo um especial sobre as expectativas de cada confronto, como os favoritos e possíveis desfalques. Venha com a gente porque o melhor mês do ano no futebol americano está apenas começando, e que levará dois times ao Super Bowl LV, marcado para o dia 7 de fevereiro, no Raymond James Stadium, em Tampa, na Florida. Todas as partidas terão a transmissão da ESPN para o Brasil.

Buffalo Bills x Indianapolis Colts (sábado, 15h05 – de Brasília)

Assim como em 2019/20, os Playoffs da NFL começam com um jogo do Buffalo Bills. No ano passado, o time de Buffalo foi o visitante, chegou a abrir uma grande vantagem sobre o Houston Texans, e sucumbiu no último quarto, com erros que custaram a eliminação na prorrogação. De aprendizado, o Bills buscou a evolução para 2020. E melhorou muito! O principal crescimento profissional foi o do quarterback Josh Allen, que passou para 37 touchdowns e 10 interceptações, sendo o líder da franquia na campanha de 13-3, que garantiu o título da AFC Leste pela primeira vez desde 1995. Com a segunda melhor posição geral na conferência, Buffalo é o favorito no duelo.

Por outro lado, o Colts foi uma das grandes surpresas nesta temporada 2020/21. O ataque teve a chegada do veterano quarterback Philip Rivers – que pode encerrar sua carreira ao final da temporada, e melhorou com a presença do running back calouro Jonathan Taylor, que correu para 1169 jardas e 11 touchdowns na temporada regular. A franquia volta aos Playoffs depois de um ano ausente da pós-temporada. E por ter sido o sétimo na Conferência, chega ao mata-mata como possivelmente o maior azarão entre os classificados.

Seattle Seahawks x Los Angeles Rams (sábado, 18h40)

Rivais de divisão, Seahawks e Rams voltam a se enfrentar no Wildcard


Em campo, o campeão e o vice da NFC Oeste. Por serem rivais de divisão, este será o terceiro duelo entre Seahawks e Rams. Na temporada regular, cada time venceu um duelo. Mas desta vez, o equilíbrio é deixado um pouco de lado. Vindo de uma classificação dramática na semana 17, sem o quarterback titular, Jared Goff, o Rams ainda não sabe se será mesmo Goff quem jogará a partida. Ele ainda se recupera de uma lesão no dedo, na qual precisou fazer uma cirurgia. Sem a presença dele, a situação se complica, ainda mais enfrentando um dos melhores times da NFL nesta atual temporada.

Para Seattle, a confiança principal está nas mãos de Russell Wilson. O quarterback que chegou a brigar para ser o MVP, mas que se afastou da disputa após derrotas nas semanas finais. O Seahawks não tem nenhum grande desfalque, e ainda tem a oportunidade de jogar em casa. Mesmo sem o barulho da torcida no Lumen Field (a equipe não liberou público no estádio em razão da pandemia), a gelada Seattle pode complicar ainda mais a situação do Rams neste confronto.

Washington Football Team x Tampa Bay Buccaneers (sábado, 22h20)

Dos seis jogos deste Wildcard, este é o que há mais projeções de vitória do time visitante do que o do mandante – em tese, com campanha melhor por ter sido campeão de divisão. Porém, o Washington Football Team chegou com a quarta posição na NFC, vencendo a NFC Leste com uma campanha em 7-9, enquanto o Buccaneers chega à pós-temporada depois de 11 vitórias e cinco derrotas. Apesar do desempenho ruim nos 16 jogos da temporada regular, Washington vem de uma boa sequência, com três vitórias e duas derrotas nas últimas cinco partidas, e, considerando os cinco jogos em que o quarterback Alex Smith jogou, quatro vitórias e uma derrota. O time da capital dos Estados Unidos também confia na sua defesa para o duelo contra Tampa Bay, principalmente pelo calouro Chase Young, que forçou quatro fumbles na temporada regular.

E é por estas qualidades de Washington que o Buccaneers quer afastar qualquer possibilidade de favoritismo. O técnico Bruce Arians disse que não vê Washington como um time que chegou aos Playoffs com 7-9, destacando o período em que Alex Smith virou o titular. A principal arma de Tampa é o quarterback Tom Brady, em seu primeiro jogo de Playoff sem defender... bom, vocês devem saber. Em 2020, Brady passou para 40 touchdowns, e aos 43 anos, se tornou o líder em passes para TD na história da NFL, com 581 (dez a mais que o segundo, Drew Brees). O ataque também se destaca no corpo de recebedores do time, como o wide receiver Mike Evans, com 13 TDs de recepção, e o tight end Rob Gronkowski, que anotou sete touchdowns. O último jogo do sábado marca também a volta aos Playoffs de ambos os times. Washington não atuava na pós-temporada desde 2015/16, e o Buccaneers, desde 2007/08.

Tennessee Titans x Baltimore Ravens (domingo, 15h05)

Novamente este confronto se repete nos Playoffs. No ano passado, em Baltimore, o Ravens, que tinha a melhor campanha da AFC na temporada 2019/20 sucumbiu ao Tennessee Titans. Neste ano, o jogo será em Nashville, e o jogo terrestre novamente terá atenção especial. Entre as partidas do Wildcard, é uma das mais difíceis de se apostar em um favorito. O principal nome do Titans é o running back Derrick Henry, candidato a Jogador Ofensivo do Ano, por ter corrido para 2027 jardas e 17 touchdowns. Soma isso às atuações do quarterback Ryan Tannehill, que passou para 33 touchdowns e sete interceptações na temporada regular.

No Ravens, o jogo terrestre também chama a atenção pelo quarterback Lamar Jackson, que foi o MVP da NFL na última temporada. Correndo com a bola, ele alcançou 1005 jardas, e anotando sete touchdowns. E, nos passes, ele lançou para 26 touchdowns e nove interceptações. Além disso, é de se ressaltar que Baltimore é uma equipe tradicionalmente forte no setor defensivo também. Este confronto promete bastante.

New Orleans Saints x Chicago Bears (domingo, 18h40)

De um lado, o New Orleans Saints, segundo colocado na NFC, com 12-4, e um dos candidatos a representar a Conferência Nacional no Super Bowl. Do outro, o Chicago Bears, time que chega à pós-temporada com 8-8, aos trancos e barrancos, e que sequer comemorou o avanço aos Playoffs, pois avançou depois da derrota para o rival, Green Bay Packers e por causa de resultados paralelos. Este é, possivelmente, o duelo mais desproporcional em desempenho neste Wildcard.

Há uma grande expectativa sobre como vai ser a atuação do Saints na partida. O quarterback Drew Brees já está de volta após ter fraturado 11 ossos da costela, e para a torcida de New Orleans, cada jogo do camisa 9 pode ser uma despedida, pois há a possibilidade de que Brees se aposente ao final da temporada. Além disso, o time vive a expectativa do retorno do running back Alvin Kamara, que está afastado do elenco por estar com a Covid-19. Em Chicago, o time está sem desfalques, e tem uma defesa que pode frear o fortíssimo ataque de New Orleans, como o linebacker Roquan Smith e o defensive end Khalil Mack. Mas é o ataque do Bears o fator preocupante, já que Mitchell Trubisky, o quarterback titular, não está em um bom ano – até mesmo foi preterido na posição para Nick Foles, até este se lesionar. Em 2020, na temporada regular, Trubisky passou para 2055 jardas nas dez partidas em que atuou, lançando para 16 touchdowns e oito interceptações.

Pittsburgh Steelers x Cleveland Browns (domingo, 22h20)

Após 18 anos, Browns volta aos Playoffs, mas sem o técnico Kevin Stefanski, que está com Covid-19 (foto: David Richard/AP)

Seria esperado um grande confronto entre rivais da AFC Norte, e com um virtual clima de revanche, já que o Pittsburgh Steelers perdeu para o Cleveland Browns justamente na semana 17. Seria! A questão é que este duelo agora é uma grande incerteza de acontecer. Até o fechamento deste texto, o jogo que fecha a rodada de Wildcard está confirmado. O problema é: desde domingo, o Cleveland Browns não está treinando devido a um surto de Covid-19. Desde a semana 16, a equipe, que volta à pós-temporada pela primeira vez desde 2002/03, convive com a atualização de casos em seus integrantes. O time jogou as duas últimas rodadas da temporada regular sem os wide receivers titulares, ou testados positivos ou na lista Covid-19/Reserve, que também é definida em caso de contatos com infectados. E nesta semana, mais casos foram confirmados, incluindo com o safety Ronnie Harrison e o técnico Kevin Stefanski. Antes mesmo dos mata-matas começarem, a NFL já se vê num enorme problema para enfrentar por causa da pandemia.

Com a volta dos jogadores titulares, o Pittsburgh Steelers estará com força total para o confronto. Na semana 17, o técnico Mike Tomlin poupou diversos jogadores, incluindo o quarterback Ben Roethlisberger, para que todos estivessem com 100% de condições para o mata-mata. Com a situação difícil no Browns, o time de James Conner, JuJu Smith-Schuster e TJ Watt entrará em campo como o favorito – isso se o confronto for realizado.




segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A meta é sobreviver: as definições dos confrontos dos Playoffs depois da semana 17

Cleveland Browns garantiu sua classificação depois de 18 anos (foto: Getty Images)

Feliz Ano Novo! Este é o nosso primeiro texto de 2021. E nele, falaremos da semana 17 da NFL, a rodada que definiu as últimas vagas aos Playoffs da temporada de 2020. Vale lembrar, aos navegantes de primeira viagem do futebol americano, que o ano mudou, mas na NFL, a referência ainda vale para o ano anterior. 

Entre as histórias a serem contadas, está a volta do Cleveland Browns à pós-temporada depois de 18 anos; o título de divisão do Washington Football Team, vindo em um duelo não muito atrativo em pleno Sunday Night Football; a vitória do Los Angeles Rams, que garantiu vaga aos Playoffs vencendo o Cardinals com um QB que jogou profissionalmente em uma liga alternativa; a surra do Buffalo Bills, que eliminou o Miami Dolphins, em grande dia do quarterback Josh Allen; entre outros assuntos.

E ainda, você confere abaixo quais serão os jogos do Wildcard, na próxima semana, e quais técnicos já foram demitidos após o fim da semana 17. Fique com a gente!

Dezoito anos depois, Browns volta aos Playoffs

Você se lembra do que estava fazendo em 2002? Você era nascido há 18 anos atrás? Pois bem, naquele ano, em que o Brasil venceu a Copa do Mundo, o Cleveland Browns foi aos Playoffs. Mas depois disso, a franquia usou e abusou de escolhas terríveis no Draft, foi o pior time da NFL por vários anos, trocou inúmeras vezes de técnico e de quarterback, e teve de suportar até mesmo uma sequência de duas temporadas consecutivas nas quais o time venceu uma única partida. Mas em 2020/21, acabou a agonia. O Cleveland Browns garantiu sua vaga na pós-temporada.

A vitória veio com muito drama, contra o Pittsburgh Steelers, que já havia confirmado o título da AFC Norte, e jogava com reservas e sem o quarterback Ben Roethlisberger. O Browns estava sem seus wide receivers titulares, que ainda cumprem quarentena após um caso positivo de Covid-19 no elenco. Apesar disso, vencia o jogo por 24 a 16 até o finalzinho da partida, quanto Pittsburgh anotou um touchdown. Para alívio de Cleveland, a conversão de dois pontos não veio, e depois de um frustrado onside kick, o Browns finalmente pôde comemorar sua vaga nos Playoffs. 

Na próxima semana, Browns e Steelers voltam a se enfrentar, agora com seus elencos principais e valendo a permanência na NFL. 

Packers bate o Bears, e confirma a primeira posição na NFC

Packers folga na próxima semana, e mesmo derrotado, Bears se classifica (foto: Quinn Harris/Getty Images)

Jogando fora de casa e com o título da NFC garantido, ao Green Bay Packers, jogar na semana 17 seria para dois objetivos: vencer para ser o melhor da Conferência Nacional, e ainda terminar a temporada regular com moral, vencendo o principal rival. E foi isso mesmo o que aconteceu. Contra o Chicago Bears, o Packers venceu por 35 a 16, em mais um grande show do quarterback Aaron Rodgers, que passou para 240 jardas e quatro touchdowns. Com a primeira posição garantida, Green Bay vai folgar na semana que vem, e aguarda o pior classificado do Wildcard para jogar no Divisional Round.

Por ter vencido no jogo anterior, o Chicago Bears entrou na zona de classificação aos Playoffs na semana 16. Se vencessem o Packers, teriam confirmada a sua vaga à pós-temporada. Mas apesar da derrota, a classificação veio, pois o time do quarterback Mitchell Trubisky contou com a ajudinha do Arizona Cardinals, que também perdeu o seu jogo. Como Chicago tinha um desempenho melhor nos critérios de desempate, garantiram presença nos mata-matas. O Bears jogará contra o New Orleans Saints fora de casa.

Titans conquista a AFC Sul, e Colts avança ao Wildcard

A AFC Sul era uma das poucas divisões da NFL que ainda estavam em disputa na semana 17. Apesar disso, Tennessee Titans e Indianapolis Colts não faziam um confronto direto, e basicamente, teriam que fazer a sua parte para pelo menos jogar uma partida de mata-mata. E foi o que aconteceu. O título da divisão ficou com o Titans, que venceu o Houston Texans em um eletrizante confronto, com o placar final de 41 a 38 – foi o melhor jogo da rodada. Para Tennessee, há de se ressaltar o feito do running back Derrick Henry, que correu para mais de 200 jardas novamente, e passou a marca das 2 mil jardas terrestres em uma temporada. Apenas oito jogadores na história da NFL, incluindo Henry, alcançaram este feito.

O Indianapolis Colts também brigava pela divisão, mas não dependia apenas de si para jogar em casa na próxima semana. Porém, contra o Jacksonville Jaguars, o time teve alguns momentos difíceis, mas superou a adversidade e venceu por 28 a 14. O quarterback Philip Rivers, que pode estar em sua última temporada, passou para 164 jardas, um touchdown e uma interceptação, e o running back Jonathan Taylor fez um grande jogo, correndo para 253 jardas e dois TDs.

No Wildcard, o Titans recebe o Baltimore Ravens, reeditando o duelo do Divisional Round do ano passado. Já o Colts irá enfrentar o Buffalo Bills fora de casa.

Bills atropela Dolphins, e elimina os rivais

Bills confirma a segunda posição na AFC após bater Dolphins (foto: Adrian Kraus/AP)

O Buffalo Bills não poupou na semana 17 mesmo classificado, e derrotou o Miami Dolphins por impressionantes 56 a 26. O resultado confirmou a equipe com a segunda posição geral da AFC, e ainda eliminou os rivais de divisão, que dependiam apenas de suas forças para se classificar. O grande destaque deste duelo foi o quarterback Josh Allen, que faz a melhor temporada de sua carreira até aqui. Allen passou para 224 jardas, três touchdowns e uma interceptação, sendo o líder da franquia nesta campanha vitoriosa. 

Por outro lado, a derrota do Dolphins é uma decepção para a equipe. Os 10-6 de campanha não eram esperados no início da temporada regular, mas o time embalou em boa parte da competição e parecia que ia conseguir a vaga. Como não foi possível, vão ter de esperar mais um ano para que o time volte aos Playoffs, o que não acontece desde 2016.

Washington vence a NFC Leste em melancólico Sunday Night Football

É a primeira vez, desde 2015, que a franquia se classifica aos Playoffs (foto: Derik Hamilton/AP)


A NFC Leste de 2020 foi uma festa. E não nos deixou de proporcionar momentos estranhos até mesmo na semana 17. Com os quatro times com mais derrotas que vitórias, três deles ainda poderiam se classificar nesta rodada. E a definição do título da divisão ficou mesmo para o Sunday Night Football, entre o eliminado Philadelphia Eagles contra o Washington Football Team, que ainda brigava para ser o melhor. 

O jogo já começou com uma bomba pelo lado do Eagles. O quarterback Carson Wentz, ex-titular da equipe, sequer foi relacionado para o jogo – um indicativo claro de fim da linha para ele na Philadelphia. Com Jalen Hurts de QB titular, o time até travou um duelo equilibrado contra Washington. Mas estranhamente, o técnico Doug Pederson resolveu colocar o QB reserva Nate Sudfeld no último quarto, e o confronto ainda estava equilibrado. O que se viu nos minutos finais foi um show de turnovers, e ao final, Washington venceu por 20 a 14. Quem não gostou nada da atitude do Eagles foram os atletas do New York Giants. Pois se Philadelphia vencesse, seria o time de Nova York quem se classificaria.

Agora falando de Washington, a classificação coroa a incrível história de superação do quarterback Alex Smith. Em 2018, ele lesionou gravemente a perna, e precisou de 17 cirurgias para não morrer, pois também teve uma infecção bacteriana. Em 2020, Smith voltou a jogar e foi fundamental para liderar a sua equipe para voltar aos Playoffs. É a primeira vez, desde 2015, que Washington vai à pós-temporada.

Com QB reserva, Rams elimina Cardinals e avança à pós-temporada

A situação do Los Angeles Rams na semana 17 era preocupante. Sem o quarterback Jared Goff, a equipe corria o risco de ser eliminada enfrentando o Arizona Cardinals, que brigava por uma vaga no Wildcard, assim como Los Angeles. O time foi à campo com o QB John Wolford, que nunca havia jogado na NFL, mas tinha atuado pelo Arizona Hotshots, da liga AAF, que existiu apenas em 2019 como alternativa à offseason da National Football League. Wolford passou para 231 jardas e uma interceptação, sendo nome importante para o Rams anotar field goals, e vencer pelo placar de 18 a 7 – o único TD da equipe foi em uma interceptação retornada para touchdown. A equipe de Los Angeles enfrentará o Seattle Seahawks no Wildcard.

Já o Arizona Cardinals de Kyler Murray, que flertou com a liderança da NFC Oeste em vários momentos, perdeu fôlego nas semanas finais, e fica de fora da pós-temporada. A equipe treinada por Kliff Kingsbury não joga a pós-temporada desde que perderam a final da NFC em 2015/16. 

Ravens vence Bengals sem sustos, e vai aos Playoffs pelo terceiro ano seguido

A briga por vagas aos Playoffs costuma ser de altos e baixos para várias equipes. Foi o exemplo do Baltimore Ravens, que flertou com a eliminação, mas em dezembro voltou a vencer, para se confirmar na pós-temporada. A equipe dependia apenas de si para avançar, e venceu o Cincinnati Bengals sem sofrer, pelo placar de 38 a 3, confirmando a quinta posição geral da AFC. O time do quarterback Lamar Jackson enfrentará o Tennessee Titans na primeira fase de mata-mata, em clima de revanche. No ano passado, foi o Titans quem eliminou Baltimore nos Playoffs.

Vitórias de Saints, Seahawks e Buccaneers, e derrota do Chiefs

Para não dizer que não falamos das quatro equipes classificadas deste tópico, três delas venceram e não alteraram suas posições na classificação, assim como o derrotado Kansas City Chiefs, que entrou em campo já com a primeira posição geral na AFC garantida nesta semana 17. O Chiefs perdeu para o Los Angeles Chargers por 38 a 21, poupando vários jogadores titulares, incluindo o quarterback Patrick Mahomes.

O New Orleans Saints levou a melhor sobre o Carolina Panthers, em vitória por 33 a 7. Antes do jogo, pintou a informação de que o quarterback Drew Brees pode se aposentar ao final da temporada, segundo Adam Schefter, da ESPN. Poderemos estar testemunhando as últimas atuações do lendário jogador, que futuramente irá para o Hall da Fama da liga.

Teve também a vitória do Seattle Seahawks sobre o San Francisco 49ers por 26 a 23, com Seattle confirmando a segunda posição geral da NFC. O Tampa Bay Buccaneers, que já havia confirmado vaga no Wildcard, venceu o Atlanta Falcons pelo placar de 44 a 27, e confirma a quinta posição geral na NFC.  

Duelos de despedida entre eliminados

Nos jogos de quem se despediu da temporada regular, tivemos: a vitória do New York Giants sobre o Dallas Cowboys por 23 a 19; a despedida com vitória do New England Patriots sobre o New York Jets, por 28 a 14 – possivelmente o último jogo de Cam Newton na franquia, que não deve ter o contrato renovado; o grande jogo entre Minnesota Vikings e Detroit Lions, no qual o Vikings venceu por 37 a 35; e também a vitória do Las Vegas Raiders sobre o Denver Broncos por 32 a 31.

Demitidos

A segunda-feira, 4 de janeiro, marcou também o fim da linha para três técnicos na NFL. Os demitidos foram: Adam Gase, após o fracasso no New York Jets; Doug Marrone, que treinou o Jacksonville Jaguars na pior temporada na história da franquia; e Anthony Lynn, que perdeu o emprego no Los Angeles Chargers.

Além destes, outros três treinadores foram demitidos durante a temporada regular em 2020: Bill O'Brien, dispensado pelo Houston Texans; Dan Quinn, demitido pelo Atlanta Falcons; e Matt Patricia, que perdeu o emprego de treinador do Detroit Lions.

Os Playoffs estão chegando

Já estão confirmados os dias e horários dos jogos de Wildcard. Vale lembrar que, por serem os primeiros das conferências AFC e NFC, Kansas City Chiefs e Green Bay Packers não entrarão em campo na próxima semana. Confira abaixo os duelos e horários. Todas as partidas terão transmissão da ESPN para o Brasil.

Sábado, 9/1

15h05 - Buffalo Bills x Indianapolis Colts

18h40 - Seattle Seahawks x Los Angeles Rams

22h20 - Washington Football Team x Tampa Bay Buccaneers

Domingo, 10/1

15h05 - Tennessee Titans x Baltimore Ravens

18h40 - New Orleans Saints x Chicago Bears

22h20 - Pittsburgh Steelers x Cleveland Browns

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Retrospectiva 2020 do Left Tackle Brasil: o título após 50 anos, a pandemia, e a atual temporada da NFL

Ano foi marcado por muitos jogos sem público devido à pandemia da Covid-19

Em todo final de ano, já é comum ter a realização das retrospectivas. Há o especial do jornalismo, feito pelas principais emissoras de televisão, o do esporte, da música, dos memes, e de vários outros segmentos. Aqui no Left Tackle Brasil, nestes quatro anos e meio de história, nunca havíamos feito um trabalho assim. Mas 2020 foi um ano diferente, e que, portanto, merece ser um marco na criação deste material. O foco? Exclusivo para a NFL, a liga a qual acompanhamos semanalmente.

Na National Football League, o ano se encerra com a temporada em andamento, já que a competição começa em setembro e termina em fevereiro, já no ano seguinte. A temporada regular de 2020, inclusive, ainda não acabou. No próximo domingo, 3 de janeiro, ocorre a semana 17. E por conta disso, encerraremos o ano ainda sem saber quais times ocuparão as sete vagas restantes aos Playoffs, pois sete já estarão classificados.

Nos parágrafos seguintes, você vai ver por mês quais foram os principais assuntos do ano na NFL. Em 2020, vimos o Kansas City Chiefs levar o Super Bowl depois de 50 anos; Tom Brady deixou o New England Patriots após 20 anos; a liga aumentou o número de participantes nos Playoffs, e agora são 14 equipes na pós-temporada; o time de Washington retirou seu antigo nome racista em reação aos protestos antirracismo que ecoaram dos Estados Unidos para o mundo. 

E também, você vai relembrar como a pandemia da Covid-19 abalou também as estruturas da NFL. Em 2020, o Draft foi realizado de forma totalmente virtual. Um total de 67 jogadores optaram por não atuar neste ano em razão do novo coronavírus, seja por serem do grupo de risco ou até mesmo para combater a doença. Os estádios abriram para o futebol americano, só que vazios, ou com público parcial – pois mesmo com as mortes em alta nos Estados Unidos, a liga deu aval às equipes a permissão de alguns torcedores. Além disso, a temporada regular ocorreu com constantes testes para detectar a Covid-19, assim como o cancelamento de treinos após surtos e a mudança de datas de diversas partidas. Agora, vamos ao que interessa, com a Retrospectiva 2020 do Left Tackle Brasil.

Janeiro

Queda do New England Patriots no Wildcard marcou o início de uma nova era nos Playoffs

O ano da NFL começa pelo final da temporada, já na disputa de Playoffs. E desde o Wildcard, foi possível perceber que mudanças estavam por acontecer. A começar pela queda precoce do New England Patriots, eliminado pelo Tennessee Titans em um jogo dominado pelo running back Derrick Henry, e que terminou com uma interceptação lançada por Tom Brady e retornada para touchdown. Por falar no Titans, a equipe seguiu surpreendendo, e na semana seguinte derrotou o Baltimore Ravens, do MVP de 2019, Lamar Jackson. O Titans foi até a final da AFC para enfrentar o Kansas City Chiefs, que na semana anterior, superou o Houston Texans em uma insana virada, na qual perdiam por 24 a 0, e antes mesmo do intervalo viraram o jogo, vencendo por 51 a 31. Na decisão da conferência, o Chiefs venceu por 35 a 24, e voltou ao Super Bowl após 50 anos.

No lado da NFC, as surpresas se resumiram ao Wildcard, em que os campeões de divisão que jogaram nesta fase, o New Orleans Saints e o Philadelphia Eagles, foram batidos pelo Minnesota Vikings e Seattle Seahawks, respectivamente. Mas ambos caíram no Divisional Round, para o San Francisco 49ers e Green Bay Packers, também respectivamente. Quem esperava um duelo acirrado na final da Conferência Nacional se decepcionou, pois o 49ers dominou completamente as ações do Packers, com direito aos quatro touchdowns terrestres de Raheem Mostert. Foi a primeira ida de San Francisco ao Super Bowl desde 2013. E a decisão projetada para fevereiro seria a primeira em que os dois times tinham o vermelho como a cor principal. 

Fevereiro

Patrick Mahomes fez história comandando o Chiefs ao título do Super Bowl

A noite do Super Bowl LIV, em Miami, foi histórica. Em duelo bastante equilibrado, o Kansas City Chiefs se consagrou como campeão, vencendo o San Francisco 49ers por 31 a 20.  O jogo contou com a virada do Chiefs no último quarto, mesmo após dois turnovers da defesa do 49ers. A partida consagrou Patrick Mahomes como MVP da decisão que encerrou o jejum de 50 anos sem um título para Kansas City. 

No texto que falava do Super Bowl deste ano, contextualizamos com outros fatos do ano de 1970 ao relacionar a época em que o Chiefs havia conquistado o primeiro título, com destaque para a frase "Ainda não sabemos bem como será 2020 no mundo...". Naquele dia de fevereiro, o novo coronavírus já ganhava o noticiário mundial com atenção, mas ainda não sabíamos o tamanho das consequências que a doença traria a todo o planeta.

Março

Início da pandemia forçou a interrupção de todas as grandes competições esportivas

Com a NFL de férias, o terceiro mês do ano costuma ser uma época em que, esportivamente, passamos a ver com afinco competições de outras modalidades. E em 2020 estava sendo assim. A Copa Libertadores iniciava sua fase de grupos, enquanto a UEFA Champions League estava por encerrar as oitavas de final. A NBA encaminhava-se para as últimas semanas de temporada regular, a poucos dias de começar também a Fórmula 1. Só que a Covid-19 atravessou o mundo rapidamente. O contágio pela doença, identificada na China, se espalhou para diversos países, atingindo em cheio a Itália, e depois outras nações como os Estados Unidos, e o Brasil, até a palavra PANDEMIA conviver conosco. O número de novos casos e mortes nunca mais parou de crescer, e foi necessário que tudo parasse, até mesmo as competições esportivas. No Left Tackle Brasil, até o nosso Maratona NFL voltou mais cedo, com foco em incentivar as pessoas a se cuidarem e a ficar em casa no período de quarentena.

Inicialmente a NFL decidiu não decidir. Por estar sem jogos acontecendo naquele momento, a organização da National Football League acreditava que a situação da pandemia já estaria controlada até setembro – o que não aconteceu – e focou mesmo na estruturação para a próxima temporada. A liga decidiu que 2020 seria o ano em que duas equipes a mais estariam classificadas aos Playoffs, totalizando sete times por conferência. 

E durante este caos todo, em março teve a tradicional Free Agency com uma notícia de grande impacto. Após 20 anos, o quarterback Tom Brady anunciou que deixaria o New England Patriots, e assinou um contrato de dois anos com o Tampa Bay Buccaneers. Nove meses depois, esta mudança confirma que foi um divisor de águas para as duas franquias.

Abril

Draft deste ano foi totalmente virtual (foto: reprodução NFL Network)

Enquanto os casos e mortes por Covid-19 não paravam de subir nos Estados Unidos, a NFL estava com o Draft batendo na porta. A liga agiu ainda no início do mês, confirmando que o recrutamento de calouros vindos do futebol americano universitário seria totalmente virtual. Tanto o comissário da NFL, Roger Goodell, quanto os dirigentes das franquias e os jogadores estavam diretamente de suas casas, interagindo virtualmente para a definição das escolhas, ou com a eventual entrevista dos selecionados. Até mesmo a torcida marcou presença, claro que virtualmente. O evento foi um sucesso mesmo com o distanciamento social. O primeiro a ser escolhido foi o quarterback Joe Burrow, pelo Cincinnati Bengals. 

Fora do Draft, a notícia que agitou o mercado também envolveu o Tampa Bay Buccaneers. O time contratou Rob Gronkowski, que estava aposentado após ter jogado no New England Patriots. Gronk voltou e formou parceria com Tom Brady este ano. 

Maio

Protestos antirracismo eclodiam pelo mundo após a morte de George Floyd

O mundo inteiro ficou estarrecido com a morte violenta de George Floyd, um homem negro asfixiado até a morte por um policial branco em maio, nos Estados Unidos. Protestos pelo mundo inteiro aconteceram, envolvendo também jogadores da NFL. O ex-quarterback Colin Kaepernick anunciou a criação de um fundo de apoio a manifestantes presos no país. Kaepernick foi o primeiro a protestar contra o racismo na NFL, se ajoelhando no hino estadunidense em 2016. Ele foi alvo de críticas por isso, e nunca mais voltou a jogar.

Junho

O quarterback Deshaun Watson foi visto em um dos protestos realizados nos Estados Unidos

No mês seguinte, a onda de protestos antirracistas continuou. Atletas de diversas modalidades cobraram entidades esportivas para que possam ser mais inclusivas, e que se engajem na luta contra o racismo, casos de LeBron James, astro da NBA, e de Lewis Hamilton, piloto da Fórmula 1. Na NFL, alguns dos principais atletas negros da liga cobraram a competição para exigir que protestos pela igualdade racial não sejam punidos direta ou indiretamente – embora nunca houve uma declaração formal, acredita-se que Kaepernick nunca mais voltou à NFL exatamente por causa de seus protestos. Nomes como Odell Beckham Jr, Patrick Mahomes, Jarvis Landry e Deshaun Watson gravaram um vídeo exigindo mais ações da liga, que, pressionada, atendeu e permitiu que qualquer protesto fosse realizado. Watson, inclusive, foi um dos atletas vistos em uma das manifestações.

Também em junho, no Maratona NFL, debatemos o racismo e o quão é importante a luta contra a desigualdade no mundo em que vivemos. Você pode ouvir o programa clicando aqui.

A pandemia também começou a afetar diretamente os times da NFL. Mesmo com a realização de treinos limitados e sem o contato físico, houve o contágio pelo novo coronavírus nos elencos de algumas equipes. 

Julho

A volta aos training camps exigiu máscaras e distanciamento social


A dois meses da temporada começar, a NFL foi empurrando com a barriga na definição de protocolos mais rígidos para que pudesse voltar garantindo a segurança de atletas e comissão técnica das franquias. Foi necessária a intervenção da NFLPA – a Associação de Jogadores da NFL –, com direito a ameaça de greve, para a liga arregaçar as mangas e, enfim, entrar em acordo com os atletas. As medidas envolviam o distanciamento social fora dos treinos e o uso de máscaras por todos os que não estivessem em campo. Porém, a liga não foi rígida na prevenção ao público, liberando às equipes a possibilidade de ter torcida ou não nos estádios, e seguindo determinações dos governos dos Estados. 

Houve quem não liberou torcedor em nenhuma partida, casos dos dois times de Nova York (Giants e Jets), de Los Angeles (Chargers e Rams), do Las Vegas Raiders e do New England Patriots, por exemplo. Teve times que liberaram para uma pequena parcela de torcedores, devidamente distantes uns dos outros, como o Green Bay Packers e o New Orleans Saints – ambos nas últimas semanas. E teve quem extrapolou, colocando até 25% do público total no estádio, casos de Dallas Cowboys, Jacksonville Jaguars, Cleveland Browns e Tampa Bay Buccaneers – não faltaram imagens de torcedores aglomerados e sem máscaras durante as transmissões de TV.

A principal medida foi a opção de os atletas não jogarem em 2020 e terem seus contratos suspensos. Ao todo, 67 jogadores decidiram não entrar em campo este ano, incluindo atletas de destaque em suas funções. A ausência mais nobre é a do right guard Laurent Duvernay-Tardiff, do Kansas City Chiefs. Médico por formação, ele está atuando na linha de frente no combate à Covid-19 em Montreal, no Canadá.

Ainda em julho, uma crise sem precedentes abalou a franquia de Washington. No embalo dos protestos contra o racismo em junho, os patrocinadores do time passaram a exigir a retirada do nome "Redskins", utilizado pela equipe por quase 90 anos. Com a pressão vinda das empresas que financiam o time, foi retirada a palavra racista. Redskins, que é "peles vermelhas" em inglês, é um termo racista usado contra os indígenas dos Estados Unidos. Para 2020, o nome provisório da equipe é Washington Football Team. 

Mas nem todas as notícias do mês foram ruins. O Kansas City Chiefs renovou o contrato do quarterback Patrick Mahomes, em um acordo sem precedentes na história da NFL. O novo vínculo será de dez anos, em que o jogador receberá, pelo menos, US$ 450 milhões em salários. Este contrato valerá a partir da temporada de 2022, o que garante o jogador no Chiefs até 2031.

Agosto

Alex Smith voltou depois de uma milagrosa recuperação

Às vésperas da pré-temporada começar, a liga decidiu cancelar os amistosos de agosto, ainda no mês anterior. O mês foi marcado por algumas movimentações para finalizar os elencos para a temporada regular, no mês seguinte. Houve renovações de contrato com estrelas da liga, como os tight ends George Kittle, do San Francisco 49ers, e Travis Kelce, do Kansas City Chiefs. Para os fãs do kicker brasileiro Cairo Santos, o jogador foi contratado pelo Chicago Bears, e hoje é um dos destaques da liga na posição. 

Veio também uma excelente história de superação neste mês. O quarterback Alex Smith, do Washington Football Team, voltou a ter condição de entrar em campo. Em 2018, ele sofreu uma grave lesão na perna, na qual precisou de 17 cirurgias para que não morresse. 

E no final da Offseason, veio talvez a maior furada de quarentena entre atletas da NFL. O cornerback Kemah Siverand foi dispensado do Seattle Seahawks após cometer a façanha de disfarçar uma garota para que ela tivesse acesso ao hotel onde o time realizava confinamento, como se ela fosse um jogador da equipe. O momento hilário foi bastante comentado no Maratona NFL, apresentado por Ruan Nascimento, Carlos Oliveira e Mia Mastrocolo, que havia se juntado à equipe do podcast semanas antes. 

Setembro

Protestos contra o racismo foram vistos desde a abertura da temporada da NFL (foto: reprodução NBC)

"Setembro sempre chega", dizia o Everaldo Marques nas suas transmissões de abertura da temporada regular. Desta vez, ele não disse esta frase, já que em fevereiro deixou a ESPN e hoje está no Grupo Globo. Mas nós aqui dissemos! Diante de muita expectativa, a temporada de 2020 da NFL começou com a vitória do atual campeão, Kansas City Chiefs, sobre o Houston Texans, em um jogo marcado por agradecimentos aos médicos atuantes contra a Covid-19 nos hospitais e por protestos contra o racismo antes do jogo. O ano da NFL também teve algumas equipes se destacando nas primeiras semanas, casos do Baltimore Ravens, Pittsburgh Steelers e na NFC, do Seattle Seahawks e Green Bay Packers. 

Porém, pouco depois do início da temporada, a pandemia mostrou que não entrou para a brincadeira. Mesmo com testes constantes de Covid-19, a liga enfrentou o primeiro surto da doença durante a temporada regular. Dezenas de pessoas do Tennessee Titans contraíram o novo coronavírus, e precisaram se afastar. Foi necessária uma mudança no calendário de várias equipes para não comprometer o andamento da temporada regular.

Outubro

Surto de Covid-19 no Tennessee Titans obrigou a liga a mudar as datas de diversos jogos

Enquanto a competição continuava, também estourou o caso positivo de Covid-19 em Cam Newton, o quarterback do New England Patriots. Com isso, o jogo que a equipe faria com o Kansas City Chiefs precisou ser adiado, e praticamente uma operação de guerra foi feita para que o Patriots jogasse sem que houvesse um surto no elenco. Ao todo, oito partidas precisaram mudar de dia, ou de semana. Isso interferiu também nas rodadas de folga de cada time. 

Também foi em outubro que Alex Smith voltou a jogar, mas não sem antes lembrar de mais uma crise em Washington. Selecionado na primeira rodada do Draft em 2019, o quarterback Dwayne Haskins foi tirado da titularidade pelo técnico Ron Rivera. Com isso, Kyle Allen virou o titular, mas este quebrou a perna em campo, permitindo asism que Smith voltasse a jogar depois de sua milagrosa recuperação. Inclusive, Smith deve jogar na semana 17.

Novembro

Steelers se manteve invicto até a semana 13 da NFL

A segunda metade da temporada regular veio, e os principais times começaram a se destacar. Neste mês, foi revelado quem será o artista a cantar no Super Bowl LV. Será o cantor The Weeknd. Novembro também é o mês do tradicional Dia de Ação de Graças. Porém, neste ano foi bem diferente em função da pandemia. Desta vez não teve jogadores comendo peru na beira do campo. Além disso, o jogo entre Baltimore Ravens e Pittsburgh Steelers, que seria neste dia, foi adiado em quase uma semana, pois o Ravens também enfrentou um surto de Covid-19. Entre os infectados, o quarterback Lamar Jackson também foi uma das vítimas. 

Na briga pelos Playoffs, o Pittsburgh Steelers reinava invicto, com o Kansas City Chiefs o perseguindo. Na NFC, o New Orleans Saints era o melhor time até a equipe perder o quarterback Drew Brees, que fraturou 11 ossos da costela. Com isso, Taysom Hill ganhou uma chance jogando na sua posição de origem – lembramos que Hill costuma jogar em várias posições diferentes.

Dezembro

Kansas City Chiefs está garantido com a primeira campanha geral de toda a NFL


Finalmente chegou o último mês do ano, para finalizar a nossa retrospectiva. E depois de tantos percalços, tantas histórias difíceis, a temporada regular chega ao final. Sete times já garantiram uma vaga aos Playoffs: Green Bay Packers, New Orleans Saints, Seattle Seahawks, Kansas City Chiefs, Buffalo Bills, Pittsburgh Steelers e Tampa Bay Buccaneers – este que era um dos times que estavam há mais tempo fora da pós-temporada, o que não ocorria desde 2007. Ainda brigam por uma vaga Tennessee Titans, Indianapolis Colts, Cleveland Browns, Miami Dolphins, Arizona Cardinals, Los Angeles Rams, Chicago Bears, Washington Football Team, Dallas Cowboys e New York Giants. 

Entre os eliminados, destaca-se a queda do New England Patriots, que pela primeira vez desde 2009, não jogará uma partida de mata-mata. O atual vice-campeão do Super Bowl, o San Francisco 49ers, também está fora dos Playoffs. Ainda na parte das eliminações, cabe falar do Jacksonville Jaguars, que antes mesmo da semana 17, já tem confirmada a pior campanha geral de toda a NFL, e será o time com a primeira escolha geral no Draft de 2021. 

Como será o ano que se aproxima?

Como dissemos lá no início deste textão, janeiro já começa com a semana 17 da temporada regular, para aí pensarmos nos Playoffs. Está longe de sabermos quem serão os protagonistas do Super Bowl LV, em 7 de fevereiro, no Raymond James Stadium em Tampa. Mas neste 2021 de esperanças, e com a vacina da Covid-19 já sendo aplicada em vários países, é possível que, na decisão da NFL, o público que vá comparecer ao estádio pode ser de médicos que atuaram no combate à pandemia e que já foram vacinados – se isso acontecer, será um importante reconhecimento aos profissionais da saúde que continuam enfrentando esta árdua batalha.

E antes de encerrar esta retrospectiva, o último texto do Left Tackle Brasil em 2020, gostaria de deixar aqui o meu agradecimento a todos os profissionais da saúde que lutaram dia após dia nos hospitais para curar os pacientes infectados pelo novo coronavírus. E também presto aqui a solidariedade aos familiares dos mais de 1,8 milhão de pessoas que perderam suas vidas para a Covid-19.