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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

TBT do LT #3 – A última vez em que os sobreviventes de 2020/21 chegaram a uma final de conferência

Títulos da AFC e da NFC serão decididos neste domingo, 24 de janeiro

Após uma longa pausa, voltamos com o nosso quadro "TBT do LT", que busca trazer fatos do passado da NFL, sempre tentando, de alguma forma, contextualizá-los com o presente da liga. E nesta quinta-feira, 21 de janeiro, lembramos que falta muito pouco para as finais de conferência. Domingo, 24 de janeiro, conheceremos os dois times que chegarão ao Super Bowl LV, que será em 7 de fevereiro.

Mas antes de falarmos em Super Bowl, é necessário vencer as finais da NFC e AFC. Os quatro sobreviventes da temporada 2020/21 já chegaram à decisão da NFL. Porém, só o Buffalo Bills ainda não está no clube dos campeões. O Tampa Bay Buccaneers tem um título, o Kansas City Chiefs é bicampeão e o Green Bay Packers tem quatro Troféus Vince Lombardi (e se contarmos a era pré-Super Bowl, é o Packers o maior campeão, com 13 títulos).

Neste TBT do LT, você vai ver como foi a última vez em que estes quatro times chegaram a uma decisão de conferência. Curiosamente, três destes quatro, na ocasião passada, chegaram ao Super Bowl. 

Kansas City Chiefs, 2020



Para o Kansas City Chiefs, o TBT do LT nem é tão antigo assim, pois, é sempre bom recordar, estamos falando do atual campeão do Super Bowl. É a terceira final de conferência consecutiva para a franquia do técnico Andy Reid. 

No ano passado, o Chiefs também jogou em casa a decisão da Conferência Americana. A vitória que levou a franquia ao Super Bowl pela primeira vez em 50 anos foi sobre o Tennessee Titans, por 35 a 24, em um grande confronto. O quarterback Patrick Mahomes foi o destaque da partida, passando para 294 jardas e três touchdowns, e conseguiu uma grande corrida para TD. Aqui no Left Tackle Brasil, cobrimos como foi este confronto, assim como a final da NFC, na qual teve a participação do Green Bay Packers. 

 Green Bay Packers, 2020



Também foi no ano passado a última participação do Green Bay Packers em uma final de conferência. Pela NFC, o time chegou até aquela decisão com a segunda melhor campanha na temporada regular. Portanto, viajou para enfrentar o San Francisco 49ers. Na ocasião, o time do quarterback Aaron Rodgers foi completamente anulado pela defesa adversária, principalmente no primeiro tempo, em que sequer pontuaram. O setor defensivo, por sua vez, sucumbiu ao jogo terrestre do running back Raheem Mostert, que correu naquele dia para quatro touchdowns. Assim, o Packers perdeu o jogo por 37 a 20. 

Neste ano, a vida do Packers na final da NFC será um pouco diferente. O time decidirá o título da conferência em casa pela primeira vez desde 2008. Além disso, a franquia tentará voltar a um Super Bowl pela primeira vez em dez anos. E enfrentará um Tampa Bay Buccaneers bastante motivado.

Tampa Bay Buccaneers, 2003



Dezoito anos depois, o Tampa Bay Buccaneers volta a uma final de conferência. Se hoje o time tem um dos melhores quarterbacks da história, Tom Brady, para retomar ao caminho de vitórias depois de muito tempo, lá em 2002/03, a situação era um pouco diferente. Naquela época, o time era treinado pelo técnico Jon Gruden, hoje comandante do Las Vegas Raiders, e era uma equipe muito forte em seu setor defensivo. 

A decisão da NFC em 2003 foi fora de casa para o Buccaneers, contra o Philadelphia Eagles. Sendo um time de uma cidade com clima mais ameno, a franquia sofreu sob um clima congelante de zero grau. Mas em campo, o jogo foi bem tranquilo. A equipe venceu por 27 a 10, e se classificou para o primeiro e único Super Bowl de sua história até aqui. O quarterback da época, Brad Johnson, passou para 259 jardas e um touchdown, sendo o principal nome ofensivo do time. Uma semana depois, o Buccaneers conquistaria seu primeiro título de Super Bowl, em vitória sobre o Oakland Raiders.

Buffalo Bills, 1994



Curiosamente, a última vez em que o Buffalo Bills foi a uma final de conferência teve justamente o Kansas City Chiefs como adversário. A franquia vivia a melhor era de sua história, sob o comando do quarterback Jim Kelly e do técnico Marv Levy. Só havia um problema. A equipe tinha chegado aos três Super Bowls anteriores e perdido todos eles.

Na temporada de 1993, novamente o Bills era o time a ser batido dentro da AFC. Se classificou como o melhor da Conferência Americana. Na decisão, um Chiefs que estava com um dos maiores quarterbacks da história da NFL: Joe Montana, já em seus últimos anos de carreira. No confronto, uma vitória tranquila de Buffalo, por 30 a 13, com o destaque negativo para a ausência de Montana pela maior parte do jogo, por ter tido uma concussão. O título da Conferência Americana foi para Buffalo pelo quarto ano seguido, mas na sequência, veio também a quarta derrota consecutiva em um Super Bowl, para o Dallas Cowboys.

Finais de conferência serão neste domingo

O dia 24 de janeiro marca mais um capítulo nesta fase final da temporada de 2020/21, com as finais de conferência. Às 17h05, abrem os trabalhos nos jogos decisivos o confronto entre Green Bay Packers e Tampa Bay Buccaneers, valendo o título da NFC. Depois deste jogo, às 20h40, haverá a final da AFC, entre Kansas City Chiefs e Buffalo Bills. Os dois duelos terão a transmissão da ESPN para o Brasil.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

TBT do LT #2 – A ascensão, queda e o futuro de Carson Wentz

Quarterback deixa de ser o titular do Philadelphia Eagles (foto: Adam Wesley/CBS)

Este é o segundo episódio da série TBT do LT, que tem como objetivo de trazer à tona recordações da NFL trazendo para um contexto atual, publicando preferencialmente às quintas-feiras. E no capítulo de hoje, trazemos à tona sobre um dos principais fatos desta semana, e que define o futuro do Philadelphia Eagles. Nesta terça-feira, 8 de dezembro, o técnico da equipe, Doug Pederson, definiu que o calouro Jalen Hurts será o novo quarterback titular do time, e que a partir do próximo jogo, contra o New Orleans Saints, Carson Wentz vai para o banco de reservas, e provavelmente deixará Philadelphia ao final da temporada.

Neste TBT, vamos voltar alguns anos no tempo e traçar cada ponto da carreira de Wentz. O quarterback de 27 anos chegou à NFL com status de estrela, brigou para ser o MVP de uma temporada até se lesionar, e hoje perdeu rendimento até virar reserva, um ano após o Eagles ter lhe confiado à possibilidade de virar um franchise quarterback – aquele QB que se consolida como titular por muitos anos, sendo o responsável por idas constantes aos Playoffs ou até mesmo de títulos de Super Bowl.

Da segunda divisão do College para a segunda escolha geral do Draft

Eagles trocou sua posição no Draft para garantir a seleção de Wentz em 2016 (foto: Kamil Krzaczynski/USA TODAY Sports)

Carson Wentz iniciou sua carreira no futebol americano universitário jogando por North Dakota State, uma instituição que, no College, integra a segunda divisão – vale lembrar que não há um sistema de promoção ou rebaixamento no College, como acontece no futebol da bola redonda. Na segunda divisão estão universidades menos badaladas. Seu desempenho nos últimos anos passou a chamar a atenção da NFL, principalmente após a boa avaliação que ele teve durante o Combine, que avalia aspectos físicos e psicológicos dos atletas que pretendem estar no Draft.

Isso colocou Wentz em uma posição de ser um dos principais quarterbacks à disposição para aquele Draft, de acordo com a avaliação prévia ao evento, assim como Jared Goff. Por conta disso, dois times que precisavam de um novo quarterback titular trocaram com Tennessee Titans e Cleveland Browns para terem a primeira e segunda escolha gerais no recrutamento: o Los Angeles Rams e o Philadelphia Eagles. O Rams foi de Goff, e o Eagles selecionou Wentz.

Titular desde o início, quase MVP e a lesão de 2017

Em 2017, rompeu os ligamentos do joelho quando brigava para ser o melhor jogador da NFL (foto: Wally Skalij/TNS)

Mesmo com a segunda escolha geral de 2016, a confirmação de Carson Wentz como titular se deu a poucos dias daquela temporada começar. Um dos quarterbacks titulares de 2015, Sam Bradford, era o favorito para começar jogando nas primeiras semanas, mas uma troca do Eagles a poucos dias da temporada regular começar, enviando Bradford ao Minnesota Vikings – que ficou sem quarterback titular devido à lesão de Teddy Bridgewater –, definiu Wentz como o QB em campo desde a semana 1.

Naquele ano, o desempenho do Eagles começou positivo, com três vitórias consecutivas, mas a franquia demonstrou bastante instabilidade, e ao final da temporada, a campanha foi de 7-9, com o time fora dos Playoffs. Wentz lançou 16 passes para touchdown e 14 interceptações.

Em 2017, o sonho de Philadelphia de levar o primeiro título de Super Bowl se tornou possível. A cada semana, o Eagles mostrava que era o melhor time da NFL. Carson Wentz fez a temporada da sua vida, lançando para 3296 jardas, 33 touchdowns e sete interceptações. Era o favorito para ser o MVP, com o time encaminhando à classificação aos Playoffs com a melhor campanha da NFC. Até que, na semana 14, o quarterback rompeu os ligamentos do joelho durante a partida contra o Los Angeles Rams. A temporada dele acabou naquele momento. 

O Eagles seguiu sem Wentz, e com Nick Foles, o time surpreendeu todo mundo e foi o campeão do Super Bowl LII. 

A vida após a primeira grande lesão

Lesionado, Wentz foi campeão do Super Bowl ao lado de Nick Foles, titular na decisão (foto: Timothy A. Clary/AFP)

Por mais lindo que foi o restante da temporada do Eagles sem Wentz, com o primeiro título de Super Bowl da história da franquia, o ano seguinte seria com o camisa 11 de titular. O Eagles pagou caro por ele, e vale lembrar que, se este quarterback não tivesse jogado de maneira excelente em 2017, as possibilidades de título seriam menores. 

Nick Foles, o titular e MVP do Super Bowl LII, até recebeu sondagens para ir para outras equipes, mas nenhuma oferta se concretizou e ele ficou no Eagles em 2018, sendo o titular nas duas primeiras partidas. Wentz, enfim recuperado da lesão no joelho, voltou na semana 3, e novamente fazia uma boa temporada, passando para 21 touchdowns e sete interceptações. Mas no final do ano, novamente se lesionou, desta vez nas costas. O time se classificou aos Playoffs mais uma vez, mas com Nick Foles representando a equipe, que caiu no Divisional Round naquele ano.

Em 2019, finalmente Carson Wentz recuperou o físico. O quarterback renovou o seu contrato com o Eagles, em um vínculo de quatro anos, válidos a partir de 2021, e US$ 128 milhões em salários, sendo US$ 70 milhões garantidos. Até este ano, ele era a aposta incontestável para a titularidade futura da franquia, e Nick Foles não estava mais lá à sua sombra. 

O desempenho no ano do quarterback foi de 4039 jardas lançadas, 27 touchdowns e nove interceptações, mas o Eagles de 2019 não era mais o mesmo que foi campeão do Super Bowl. A classificação aos Playoffs foi sofrida, com campanha em 9-7, mas mesmo assim, era o terceiro título consecutivo da NFC Leste. Tudo parecia bem para Wentz até o jogo de Wildcard contra o Seattle Seahawks, quando ele foi atingido pelo defensor Jadaveon Clowney e entrou para o protocolo de concussão. Wentz não voltou mais para o jogo e o Eagles foi eliminado.

2020 de calvário

Neste ano, Wentz sofreu com atuações ruins e diversas interceptações (foto: Derik Hamilton/AP)

É fato que este ano não está sendo fácil para ninguém, pois estamos enfrentando uma pandemia. O psicológico de muitas pessoas está abalado, assim como o de Carson Wentz. Ele não testou positivo para a Covid-19, mas vale lembrar que Wentz já carregava um longo histórico de lesões com apenas quatro temporadas profissionais. E mais: ele passou a ser pressionado, pois no Draft, o Eagles selecionou na segunda rodada Jalen Hurts, quarterback que teve uma boa passagem no College por Alabama, e encerrou a vida universitária jogando por Oklahoma.

A carreira de Carson Wentz, que estava tão sólida, de repente ficou ameaçada. A cada partida, uma coleção de interceptações evitáveis, complicando de vez a vida do Eagles. Para acrescentar, Doug Pederson escalava Hurts para fazer algumas jogadas durante o jogo, como se fossem pequenos testes ao calouro, pelo fato de não ter havido a pré-temporada para testá-lo em um confronto. 

Em 12 jogos, Wentz passou para 2620 jardas, 16 touchdowns e 15 interceptações. Ou seja, a média de passes para adversários nas partidas era maior que uma interceptação por jogo. Carson Wentz atualmente lidera a estatística de mais interceptações lançadas na temporada 2020. Contra o Green Bay Packers, no domingo, 6, foi a gota d´água. Com o jogo já perdido, Pederson tirou Wentz de campo para nunca mais deixá-lo voltar. Foi Hurts quem comandou o time nos minutos finais da derrota por 30 a 16.

Qual será o seu destino

Fica claro que não há mais clima para que Carson Wentz fique no Eagles em 2021. As lesões e o psicológico o abalaram a ponto de que a solução seja jogar em outra equipe. Por mais que o ano de 2020 dele seja muito ruim, não dá para imaginar que o quarterback virará um andarilho, ou que só será contratado para ser um mero QB reserva. 

Para a equipe da Philadelphia, neste caso, restam duas opções. A menos dolorosa, considerando o teto salarial, seria trocá-lo com algum time que necessite de um QB para o ano que vem, e que, via Draft, tenha dificuldades para encontrar um bom nome. Neste caso, o time que receberia Wentz herdaria todo o valor em salários que o jogador teria para receber com o Eagles. O problema é: quem vai desejar comprometer US$ 128 milhões de seu teto salarial com ele após o mau desempenho em 2020?

A outra opção seria cortar o jogador. Uma decisão que pesa bastante no teto salarial de Philadelphia, já que, ao renovar o contrato com Wentz no ano passado, o Eagles já se comprometeu a pagar US$ 70 milhões à ele. Um corte neste final de temporada impactaria em US$ 59 milhões no teto salarial, e este dinheiro faria muita falta aos cofres do time para contratar reforços. Se Carson Wentz ficar como reserva, o comprometimento do limite de gastos em salários seria menor, de "apenas" US$ 35 milhões. Vale lembrar que não é comum que uma equipe mantenha um quarterback reserva pagando por um alto salário, até porque com este dinheiro gasto, a franquia poderia investir em pagar por reforços em outras posições. O Eagles terá um enorme dilema para resolver ao final desta temporada se não trocar Carson Wentz.

Se o destino do camisa 11 for mesmo a saída do Eagles, há opções para ele retomar sua carreira, em times que estão a um quarterback de um melhor desempenho na NFL, e que não estão nas piores posições na temporada atual (o que permitiria mais chances de encontrar um bom QB via Draft), casos de Indianapolis Colts, Denver Broncos, Chicago Bears ou Atlanta Falcons – há a possibilidade de o veterano Matt Ryan deixar a equipe em 2021. Será uma história bem interessante para acompanhar!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

TBT do LT #1 – os times que chegaram aos Playoffs com campanhas negativas

Em 2020, é provável que o campeão da NFC Leste repita a façanha de ir aos Playoffs perdendo mais jogos que vencendo (foto: Tim Heltman/USA Today Sports)

O Left Tackle Brasil aproveita nesta quinta-feira, 3 de dezembro, para inaugurar uma nova seção de textos para você. É o quadro "TBT do LT", que, preferencialmente às quintas-feiras, trará um fato histórico da NFL e tentará trazer este fato com um contexto atual da liga – com algumas possíveis exceções, claro.

O nome do quadro é uma inspiração na famosa hashtag que aparece no Instagram nas quintas-feiras, #tbt. Para quem ainda não sabe (como eu mesmo não sabia até poucos meses atrás), TBT é uma abreviação para "throwback thursday", como um momento para relembrar boas memórias naquela rede social neste dia específico. 

E para começar, volto alguns anos no tempo para trazer um assunto que vem à tona a cada semana na temporada regular de 2020. A possibilidade de o campeão da NFC Leste de 2020 se classificar aos Playoffs com mais derrotas que vitórias. Philadelphia Eagles, New York Giants, Washington Football Team e Dallas Cowboys estão com um desempenho terrível neste ano, seja por lesões, problemas extra-campo ou até mesmo por má administração do elenco como um todo.

Na história da NFL, foram apenas duas vezes em que um time que perdeu mais jogos do que venceu na temporada regular chegou aos Playoffs em janeiro. Isso pode acontecer pelo fato de que, para chegar na pós-temporada, basta que a equipe seja a melhor dentro de sua divisão, ou então que tenha uma das três melhores campanhas na sua conferência sem que seja líder da divisão. Portanto, se os quatro times de uma divisão perdem mais jogos do que vencem, é certo que o menos pior se classifica. Neste primeiro TBT do LT, vamos falar das equipes que protagonizaram esta façanha na liga: o Seattle Seahawks de 2010 e o Carolina Panthers de 2014.

Seattle Seahawks em 2010

Após campanha 7-9 em 2010, Seahawks causaram um terremoto nos Playoffs (foto: Elaine Thompson/AP)


Há dez anos atrás, o Seattle Seahawks não era o que é hoje, de ser uma equipe com qualidade imensa e de constante presença nos Playoffs. Em 2010, a franquia ainda não tinha um título de Super Bowl, e o único que havia jogado tinha sido perdido. Além disso, o time estava em processo de reconstrução, após ter tido uma decepcionante temporada em 2009. Porém, há dez anos, Seattle dava o primeiro passo para se tornar uma potência na NFL, ao contratar o treinador Pete Carroll, que continua no comando até hoje.

Eram tempos em que Russell Wilson ainda estava no futebol americano universitário, e por isso, o quarterback de Seattle era o veterano Matt Hasselbeck, que precisou disputar a titularidade com Charlie Whitehurst. O time já contava com o running back Marshawn Lynch, que ainda era jovem, vindo de uma passagem sem brilho pelo Buffalo Bills.

As pretensões do time não eram de chegar aos Playoffs, mas dadas as más campanhas dos rivais da NFC Oeste, o que parecia improvável se tornou um sonho alcançável mesmo com a campanha com mais derrotas que vitórias. E explicamos aqui o que aconteceu. O Arizona Cardinals vinha de um bom momento nos últimos dois anos, com direito à brilhante temporada de 2008/09, na qual o time foi ao Super Bowl e quase bateu o Pittsburgh Steelers. Porém, o lendário quarterback Kurt Warner decidiu se aposentar após a temporada 2009. O Cardinals de 2010 sucumbiu e teve apenas 5-11. O San Francisco 49ers era um provável favorito, já que havia feito 8-8. Só que a temporada seguinte foi péssima, com a franquia perdendo seus cinco primeiros jogos. No restante do ano, a equipe venceu seis jogos, com rendimento insuficiente para ter qualquer capacidade de briga por título da divisão.

Quem rivalizou com o Seahawks pela liderança da NFC Oeste foi o St Louis Rams. O time havia sido o pior de toda a NFL em 2009, mas a escolha do quarterback Sam Bradford, deu um novo gás ao time, que chegou na semana 17 como o melhor da divisão. Mas na última rodada, justamente um confronto direto com Seattle, o Seahawks venceu, e assim foi o primeiro time da história da liga a ir para os Playoffs como campeão de divisão com uma campanha negativa, de 7-9.

O Seattle Seahawks se classificou como o quarto da NFC justamente por ter levado o título de uma das divisões. A campanha geral foi pior que a dos dois times que chegaram à pós-temporada via Wildcard. E por falar em Wildcard, na primeira fase dos Playoffs, o time enfrentou o New Orleans Saints, então atual campeão do Super Bowl, em casa. E a história foi escrita, com a vitória de Seattle, com direito à épica corrida para o touchdown de Marshawn Lynch, que gerou um pequeno terremoto no Century Link Field, justamente no TD da vitória. Aquela temporada maluca acabou na semana seguinte, quando o time caiu para o Chicago Bears no Divisional Round.

Carolina Panthers em 2014

Panthers de 2014 fez 7-8-1 na temporada regular, e venceu um jogo nos Playoffs (foto: USA Today Sports)

O segundo time a chegar nos Playoffs como campeão de divisão mas com uma campanha de menos vitórias que derrotas foi o Carolina Panthers, na temporada de 2014. Diferente do Seahawks de 2010, que vinha de um período de reconstrução, o Panthers de seis anos atrás vivia uma boa fase. Na temporada anterior, o time havia se classificado aos Playoffs com uma das melhores campanhas da NFC, e por isso, era o favorito dentro da NFC Sul mais uma vez.

Naquela época, o treinador era Ron Rivera, que seguiu no Panthers até 2019 e hoje está no Washington Football Team. O quarterback titular da franquia era Cam Newton, que foi por muito tempo o principal jogador do time, e que também não atua mais na Carolina do Norte – hoje, atuando no New England Patriots. 

Em 2014, o Panthers começou o ano relativamente bem. Nos seis primeiros jogos, o time venceu três deles, perdeu dois e empatou um. Porém, a situação desandou a partir da semana 7, quando a franquia perdeu seis jogos consecutivos. Mas a sequência final de quatro triunfos permitiu ao time levar uma vaga na pós-temporada, devido à campanha em 7-8-1.

Quando alguém se classifica perdendo mais jogos do que vencendo, significa que os outros times vacilaram muito, já que não é algo normal de acontecer. Dos rivais do Panthers, quem menos deu trabalho foi o Tampa Bay Buccaneers, que naquele ano teve a pior campanha de toda a NFL, com 2-14. O Atlanta Falcons fez uma temporada que também foi para se esquecer, jogando mal desde o início do ano – tanto que a franquia demitiu o técnico. E quem ofereceu o trabalho mais difícil ao Carolina Panthers foi o New Orleans Saints, que disputou a liderança, mas também vivendo da instabilidade em seus jogos. Na época, o time tinha uma defesa terrível, e para vencer, precisava depender de Drew Brees muito mais do que em tempos atuais.

Por ser campeão de divisão, o Panthers foi aos Playoffs tendo o direito de jogar em casa no Wildcard. E também venceu o seu primeiro jogo de mata-mata, com uma certa tranquilidade. O time derrotou o Arizona Cardinals por 27 a 16, se aproveitando principalmente do fato de que o Cardinals estava com o terceiro quarterback titular diferente naquela temporada (já que o então titular, Carson Palmer, havia se machucado, e o reserva Drew Stanton também). No caso, o jogador Ryan Lindley, que teve um desempenho tão ruim que foi o último jogo da carreira dele como titular na NFL. Na partida seguinte, a equipe caiu para o Seattle Seahwks, também no Divisional Round.

O que esperar da NFC Leste de 2020



Era esperado que, neste ano, os quatro times da NFC Leste não poderiam render tão bem. Antes da temporada começar, as expectativas eram maiores entre o Dallas Cowboys e o Philadelphia Eagles como campeões da divisão. Porém, os dois times implodiram durante a temporada. O primeiro, após a lesão do quarterback Dak Prescott que o tirou da temporada, e o segundo, com o visível declínio do quarterback Carson Wentz, que outrora foi favorito à MVP da liga. É bem verdade que a situação ruim de ambos os times não se resume só aos QBs, mas também na gestão dos elencos dos dois times. 

Quanto aos demais, o New York Giants já tem um elenco limitado, e neste ano perdeu seu melhor jogador ainda no começo da temporada, o running back Saquon Barkley. E Washington sobrevive a uma crise de sem precedentes na história da franquia, a qual até mesmo o nome mudaram, para enfim retirar o apelido racista que tinham. A notícia boa desta franquia é a volta do quarterback Alex Smith após quase perder a vida depois de uma lesão na perna, há dois anos.

Neste momento, é o New York Giants o líder da divisão, com a inglória campanha de quatro vitórias e sete derrotas. Se a temporada terminasse hoje, o time iria para os Playoffs por ser o melhor da divisão, mas na classificação geral, desconsiderando os critérios atuais para se avançar ao mata-mata o time de Nova York tem a nona pior campanha entre todas as 32 equipes da liga. 

O Washington Football Team também tem o mesmo desempenho, de 4-7, mas fica em desvantagem no critério de desempate. O Philadelphia Eagles, mesmo longe do nível do time campeão do Super Bowl LII, está perto dos líderes, com três vitórias, sete derrotas e um empate. E o Dallas Cowboys, neste momento, ocupa a pior campanha da divisão, com três vitórias e oito derrotas. Todos os times brigam pela liderança da divisão, mas se estivessem em qualquer outra das divisões da NFL, as chances de classificação, até mesmo via Wildcard, estariam próximas de zero.

Apesar de tudo, ainda é possível que um time da NFC Leste avance aos Playoffs com campanha de oito vitórias, o que tiraria o time da comparação com o Seahawks de 2010 e o Panthers de 2014. Mas diante de tantos jogos ruins que Giants, Washington, Cowboys e Eagles vêm fazendo, é mais provável que o primeiro colocado da divisão avance ao mata-mata, em janeiro, com menos de sete vitórias. A conferir sobre o que será do futuro destes times até o final da temporada.