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quarta-feira, 16 de junho de 2021

Maratona NFL – Temporada 4, episódio 1 – Do Super Bowl até aqui, tudo o que foi notícia durante nossa ausência


Como continuamos em offseason, o Maratona NFL, o podcast transmitido aqui no Left Tackle Brasil, fez uma pausa de quatro meses. Mas agora estamos de volta. A espera acabou e o programa está no ar novamente. A equipe? A de sempre, com Ruan Nascimento, representando este site, e os amigos e colegas de bancada Carlos Oliveira e Mia Mastrocolo – a Mia infelizmente não pôde participar em razão de seus compromissos, mas ela continua na nossa equipe para esta temporada. Voltamos daquele jeito de sempre, com muita descontração, não falando apenas da National Football League mas de tudo o que marcou neste período.

A pauta do programa se resume aos principais assuntos da NFL nos últimos meses em que estivemos sem gravações inéditas. Falamos da passagem do Draft à aposentadoria de Drew Brees. Do aumento da temporada regular a partir de 2021 até o fim da longeva carreira do kicker Adam Vinatieri, que começou a jogar profissionalmente em 1996 e só agora pendurou as chuteiras. 

Também destacamos os problemas internos em algumas equipes, alguns já resolvidos e outros nem tanto. Entre os resolvidos, a troca do wide receiver Julio Jones (ex-Atlanta Falcons) para o Tennessee Titans; a não ida de Aaron Rodgers, o quarterback do Green Bay Packers e atual MVP da liga, para os treinamentos preparatórios para a temporada de 2021; e a situação de Deshaun Watson, que de queridinho da NFL, passou a ser ignorado por todo mundo diante das acusações de assédio sexual contra o jogador.

Fora da National Football League, apresentamos neste podcast os dados da Covid-19 no Brasil. Desde o nosso último podcast gravado, a pandemia ficou ainda mais descontrolada no país, e mais que dobrou o número de vidas perdidas em apenas quatro meses. São quase 500 mil mortes por Covid. Por outro lado, Carlos e Ruan voltaram a enaltecer a importância da vacinação, e enfatizando a campanha que, se você tem o direito de se vacinar, vacine-se. Só com a vacinação venceremos a pandemia. 

Ouça o Maratona NFL de retorno através de nossas plataformas, pelo Spotify, pelo Apple Podcasts e em demais plataformas, pelo Anchor. 

Ou, se preferir, ouça abaixo o podcast.


domingo, 18 de abril de 2021

Escolhas que deram errado no Draft da NFL


Abril é aquele mês marcado pelo Draft da NFL, o recrutamento de atletas universitários que sonham com o futebol americano profissional. É a chance de cada jogador garantir sua entrada na National Football League e assim garantir uns belos trocados financeiramente – vale lembrar que, no College, os jogadores não recebem salário, e sua presença em campo se dá através de bolsas de estudo.

Todos os anos, o evento é sempre marcado por diversas expectativas, afinal de contas, é como um reality show da NFL. Vale lembrar que é uma cerimônia de várias horas em que os selecionados vão surgindo para o público, gerando manifestações felizes ou frustradas de seus torcedores ao vivo. A exceção do Draft de 2020, totalmente virtual por causa da primeira onda da pandemia da Covid-19, o recrutamento é um belo espetáculo de entretenimento.

Para os novatos em futebol americano, o Draft reúne jogadores recém saídos do futebol americano universitário e que tentam uma vaga na principal liga da modalidade. Ao longo de três dias, as 32 equipes da NFL escolhem os seus futuros atletas. É selecionado um jogador por vez por cada time, seguindo uma ordem inicialmente estabelecida de acordo com a classificação invertida do ano anterior – com a possibilidade da equipe trocar de posição com outra se lhe for conveniente. Em tese, o pior time tem a chance de garantir o melhor atleta vindo do College, e assim sucessivamente. É como se fosse aquele jogo de futebol praticado na rua, em que a galera se junta e escolhe, nome a nome, quem vai para cada equipe – com os melhores escolhidos primeiro e os piores por último.

No papel, o Draft permite o equilíbrio entre as franquias, já que as piores equipes podem se reconstruir no longo prazo e virarem grandes potências em poucos anos. Mas nem sempre isso dá certo. Há muita tensão entre donos e general managers para decidirem suas escolhas, e nesse clima sempre pode ter espaço para algum deslize. E aí aquela escolha dos sonhos pode virar um tremendo pesadelo. 

É neste ponto que nós queremos chegar neste texto. Esqueçam escolhas certeiras, como as de Peyton Manning pelo Indianapolis Colts, ou, em um exemplo mais recente, a de Patrick Mahomes pelo Kansas City Chiefs. E esqueçam as apostas para quem vai ser o primeiro selecionado no Draft de 2021 – haverá um texto específico para o recrutamento de atletas universitários nos próximos dias. Hoje é dia de recordar das seleções ruins, daquelas em que o público vaiou logo de cara, ou que, até acreditou que poderia dar certo, mas acabou em um enorme abacaxi para descascar. Não elencaremos os fatos em um ranking ou ordem cronológica. Mas provavelmente você vai se lembrar de algumas destas movimentações.

2000 – Qualquer QB escolhido antes de Tom Brady

Chad Pennington, Giovanni Carmazzi, Chris Redman, Tee Martin, Marc Bulger e Spergon Wynn. Talvez você nem saiba quem são as pessoas citadas acima, mas todas têm algo em comum: foram quarterbacks escolhidos no Draft de 2000 antes de Tom Brady. Aqui vale ressaltar que, antes daquele recrutamento, Brady nem era cotado para ser uma estrela, e as avaliações prévias do Combine (em que os atletas disponíveis para o Draft fazem diversos testes físicos e mentais) não eram favoráveis ao jogador. Mas 21 anos depois, a aposta do New England Patriots na escolha de número 199 se mostrou mais do que certeira, e hoje Brady, agora no Tampa Bay Buccaneers, é o maior quarterback de todos os tempos.

E quanto aos demais selecionados antes, que fim levaram? Pennington e Bulger ainda tiveram momentos de titularidade, mas nenhum deles teve uma carreira de sucesso. Entre os outros, há quem sequer jogou um único snap na NFL. Além disso, até kicker e punter foram escolhidos antes de Tom Brady – o então Oakland Raiders foi o protagonista desta dupla façanha há 21 anos.

1999 – Um por todos e todas por uma

Antes e durante um Draft, só há uma maneira para que uma equipe possa mudar sua posição de escolha, seja lá por qual motivo: através das trocas. Elas podem envolver jogadores ou mais escolhas do Draft, de acordo com o interesse das duas equipes envolvidas. E por causa disso, para alcançar uma determinada posição, é comum um time ceder mais de uma escolha do Draft do ano corrente ou dos seguintes. 

Mas em 1999 ocorreu algo ainda mais insano. O New Orleans Saints, ainda vivendo a era anterior ao ex-quarterback Drew Brees e o atual técnico Sean Payton, queria sair do ostracismo de décadas. E para isso, o técnico da época, Mike Ditka, convenceu a direção da franquia a tomar uma decisão absurda: trocar TODAS as suas escolhas do Draft para subir da 12ª escolha geral para a 5ª, com o objetivo de selecionar o running back Ricky Williams. Foram as seis escolhas que o Saints tinha em 1999, mais duas do Draft de 2000 (incluindo a primeira rodada) enviadas para Washington. O desejo de Ditka por Ricky Williams foi tão icônico que a revista ESPN fotografou os dois para a capa... vestindo eles como noivos.

Valorize quem faz de tudo para ter você, como Mike Ditka ao selecionar Ricky Williams (foto: reprodução/Revista ESPN)

O que poderia dar errado comprometendo um Draft inteiro por um jogador? Uma campanha lamentável de três vitórias e 13 derrotas, e a obvia demissão de Mike Ditka ao fim da temporada. Williams ainda teve um desempenho ruim em seu ano de estreia, de apenas dois touchdowns, e conviveu com diversos problemas extra-campo em Nova Orleans, sendo trocado em 2002 para o Miami Dolphins. Após o mau início de carreira, o running back se destacou em Miami, entre altos e baixos, encerrando sua passagem na NFL em 2011 pelo Baltimore Ravens, após acumular mais de 10 mil jardas terrestres.

2007 – A pior primeira escolha geral da história

A animação contagiante de Jamarcus Russell já era um sinal de que não era uma boa escolhê-lo


O Las Vegas Raiders volta a aparecer por aqui. Ainda nos tempos em que era o Oakland Raiders, o time queria voltar aos tempos de glórias em 2007. Com a primeira escolha geral do Draft daquele ano, Al Davis, o dono da franquia e que também ocupava o cargo de general manager até seu falecimento, em 2011, pretendia iniciar a reconstrução, que começaria por um quarterback ou um wide receiver, que eram bem avaliados na época. Davis seguiu sua intuição, e ela tinha nome e sobrenome: Jamarcus Russell, o quarterback.

No futebol americano universitário, Russell tinha ido bem em LSU, e isso o credenciou com a primeira escolha geral, mesmo com alguns boatos de que ele era desinteressado. Antes mesmo de estrear pelo Raiders, já vieram os primeiros problemas. Ele só assinou seu contrato durante as primeiras semanas da temporada regular de 2007. E que contrato. O vínculo foi de seis anos, US$ 68 milhões em salários, sendo US$ 31,5 milhões garantidos. E mesmo com esse grande contrato, absurdo para um calouro, só jogou naquele ano como titular na última rodada (após ter entrado em campo como reserva em algumas partidas, com atuações muito ruins).

Russell ainda ficou em Oakland por mais dois anos, e continuou sendo um fiasco nas partidas em que foi o titular. Seu desinteresse por jogar era tão grande que a Raiders o enviou um livro em branco, alegando que era para estudar sobre o adversário da próxima rodada. Ao ser questionado sobre, o quarterback disse que passou a madrugada estudando o conteúdo, e que ajudaria seu time a vencer a próxima partida. Não teve jeito. Ao fim da temporada de 2009, o Raiders finalmente o dispensou, após uma carreira em que completou míseras 4083 jardas lançadas, para 18 touchdowns e 23 interceptações. 

Ficou claro que o time, que poderia pegar na primeira escolha geral quem quisesse, fez besteira ao selecionar o QB. Até porque o segundo selecionado, aquele wide receiver bem avaliado que o time cogitou contratar, era Calvin Johnson, escolhido pelo Detroit Lions, e que fez história. Em 2021, garantiu seu lugar no Hall da Fama da NFL. Outro "legado" dessa história com Russell foi que, a partir de 2011, as franquias da NFL passaram a adotar contratos mais baixos para jogadores calouros, com vínculo máximo de quatro anos, com opção de ativar um quinto ano caso este atleta tenha sido selecionado na primeira rodada.

1998 – A pior segunda escolha geral da história

A maioria dos times vencedores do Super Bowl tinham como protagonistas um quarterback. Mas antes de qualquer QB erguer o Vince Lombardi, é necessário que este evolua profissionalmente após sua seleção no Draft. Mas antes do recrutamento, times que estão sedentos por mudanças na posição fazem de tudo para garantir o melhor ou um dos melhores disponíveis entre os que chegarão do futebol americano universitário. 

Em 1998, havia a expectativa para que dois QBs fossem as duas primeiras escolhas: Peyton Manning e Ryan Leaf. Sabendo disso, o então San Diego Chargers (hoje Los Angeles Chargers) subiu no Draft e garantiu a segunda escolha geral para selecionar um dos dois. Manning foi o primeiro escolhido, pelo Indianapolis Colts, e o resto é história. Leaf foi o segundo. E dali em diante, virou farsa.

Além de péssimas atuações pelo Chargers, Leaf somou diversos problemas extra-campo. Ele brigou no vestiário algumas vezes, além de ter sérias discussões com a imprensa. O ex-jogador também se lesionou em alguns momentos, isso sem contar que chegou a mentir que estava machucado. Em seu ciclo em San Diego, venceu apenas quatro partidas entre 1998 e 2000, e em 2001, foi para o Dallas Cowboys, onde jogou em três derrotas e nunca mais voltou a atuar. Seus números: 3666 jardas lançadas, 14 touchdowns e 36 interceptações. 

1995 – Ele não queria jogar na NFL, e foi selecionado

Eli Herring era jogador de linha ofensiva de BYU, e teve uma carreira de destaque no futebol americano universitário. As análises prévias do Draft da NFL de 1995 indicavam que ele poderia até mesmo ser selecionado na primeira rodada. Ou seja, em tese, era um dos melhores na posição que estariam aptos a se profissionalizar. Só tinha um problema. Herring não queria jogar na NFL por ser Mórmon, e, segundo as tradições da religião, os Mórmons não trabalham aos domingos, dia reservado para orações. E como você já deve saber, é domingo o dia em que acontece a maioria dos jogos da liga. O futuro ex-atleta avisou a todos os times que não queria jogar por seguir sua doutrina religiosa. Mesmo assim, alguém foi atrás dele no Draft.

 Lá vem o Raiders de novo! Olha só que absurdo! Parafraseando Galvão Bueno no tenebroso 7 a 1 que a Alemanha aplicou no Brasil na Copa de 2014, a franquia de Las Vegas, que na época ainda residia em Oakland, selecionou Herring na sexta rodada daquele Draft. O time até tentou oferecer um contrato de US$ 1,5 milhão para ver se ele mudaria de ideia, mas não teve efeito. Foi uma escolha gasta à toa. 

2016 – Subir no Draft por um kicker

Você que chegou na NFL em 2020, e que viu o Tampa Bay Buccaneers levar o título do Super Bowl em fevereiro deste ano, provavelmente deve achar que a franquia sempre foi vencedora. Mas não é bem assim. Entre 2003 (ano do primeiro título) e 2021, o time passou por alguns maus bocados. E temporada após temporada, o Draft era visto como a chance perfeita para o Bucs saísse das piores posições da liga para enfim voltar a brigar para vencer a competição.

E aí voltamos para 2016. Passada a primeira noite do Draft, reservada apenas à primeira rodada do recrutamento, o segundo dia estava mais tranquilo, com cada equipe selecionando seus jogadores no tempo estabelecido, ocorrendo eventuais trocas em tempo real. Até que o Buccaneers resolveu dar as caras e chamar a atenção de todo mundo. O time subiu 15 posições para ter mais uma chance de escolher na segunda rodada. A equipe de Tampa enviou ao Kansas City Chiefs suas escolhas de terceira e quarta rodadas na troca, e selecionou um kicker.

Existem muitos kickers de alto nível na NFL atual, assim como alguns medianos e outros medíocres, como em qualquer profissão na vida. Mas quando se trata desta posição, é comum que as equipes só selecionem um kicker no final do Draft, ou até mesmo esperem passar o recrutamento para contratar alguém por um valor ainda mais barato. A título de exemplo, Adam Vinatieri, o maior kicker da história, não foi draftado em seu ano de início de carreira na NFL, em 1996. Mesmo assim, o Buccaneers gastou cartucho e fez acontecer a seleção de Roberto Aguayo.

O atleta vindo de Florida State tinha qualidades na posição antes do Draft. Até mesmo recebeu o prêmio Lou Groza, dedicado ao melhor kicker da temporada do College Football – o brasileiro Cairo Santos, que joga hoje no Chigago Bears, recebeu tal honraria, mas não foi selecionado no Draft. Ou seja, a troca realizada pelo Buccaneers e a seleção de Aguayo na segunda rodada se tornaram uma imensa pressão sobre o jogador. 

Ainda em 2016, durante a temporada regular, já haviam questionamentos sobre seu talento. Ao final do seu ano de calouro, Aguayo acertou 22 field goals de 31 tentativas, em um aproveitamento de 71% nos chutes, considerado muito baixo para a posição. Em 2017, para pressioná-lo, o Buccaneers contratou um outro kicker e assim ativar uma competição interna entre os jogadores. Sobrou para Aguayo, que foi cortado antes mesmo da temporada começar. Ele ainda tenta voltar à NFL, e passou por Chicago Bears, Carolina Panthers, Los Angeles Chargers e New England Patriots, mas jamais ficou nos elencos para atuar na temporada regular.

2017 – Trocar uma posição por Mitchell Trubisky

Trubisky foi a aposta do Bears em 2017, e deu errado (foto: Matt Rourke/AP)


Que fique claro que não estamos colocando Mitchell Trubisky como um dos piores quarterbacks da história, mas como o texto cita as más escolhas feitas no Draft, a seleção deste jogador pelo Chicago Bears em 2017 merece o devido destaque. 

O Bears é o time que está na NFL desde o ano de sua fundação, em 1920. A histórica e centenária franquia já teve inúmeros grandes jogadores, sendo campeã por nove vezes (oito títulos na era antiga da NFL, e um de Super Bowl). Apesar disso, a posição de quarterback nunca foi de alguém que teve uma excelente carreira, sendo o personagem principal na conquista de títulos. Querem um exemplo? O líder em passes para touchdown e em jardas lançadas no Bears é ninguém menos que Jay Cutler, que jogou por lá entre 2009 e 2016, a quem os próprios torcedores de Chicago não têm boas lembranças.

Assim chegamos à 2017. Depois de anos de sofrimento, finalmente o Bears decidiu demitir Jay Cutler, que, cabe ressaltar, só jogou uma temporada completa sem se afastar por lesões ou qualquer outro motivo, com direito a uma única ida aos Playoffs neste período. No Draft de quatro anos atrás, o Bears tinha a terceira escolha geral, e estava sedento por um quarterback. A pressão por um franchise QB, aquele que tem uma longa carreira por uma equipe e é o responsável por títulos, foi maior do que nunca. E o desejo por alguém desta posição foi tão grande que, após a escolha do Cleveland Browns, a primeira geral daquele recrutamento, o Bears realizou uma insana troca com o San Francisco 49ers, que tinha a segunda seleção, para escolher Mitchell Trubisky. Chicago enviou escolhas de primeira, terceira e quarta rodadas, e mais uma seleção de terceira rodada de 2018, para subir uma única posição e escolher o quarterback que queriam.

Quando foi feito o anúncio de Trubisky, ninguém entendeu nada, um pagamento tão caro de escolhas para subir uma única posição, e o 49ers nem foi atrás de QB. No papel, ele nem era o melhor quarterback disponível, já que foi o mesmo Draft de, pasmem, Patrick Mahomes (hoje no Kansas City Chiefs) e Deshaun Watson (ainda no Houston Texans, e enfrentando dezenas de acusações de assédio sexual). E na prática, também não. Nos quatro anos em que permaneceu em Chicago, Trubisky teve muitas atuações ruins. Seu melhor ano como titular foi em 2018, em que foi selecionado ao Pro Bowl e levou o Bears aos Playoffs, mas a grande força da franquia estava mesmo na defesa. 

Em 2020, com Trubisky já pressionado pela posição, o Bears contratou Nick Foles para ser o quarterback reserva. Foles chegou através de uma troca, e recebendo um salário relativamente alto, reflexos do título de Super Bowl conquistado por Foles no Philadelphia Eagles na temporada 2017/18. Mesmo assim, Foles foi para a reserva e Trubisky seguiu titular. Tudo ia bem (porque a defesa segurava o rojão e mantinha o time invicto) até o duelo contra o Atlanta Falcons. O técnico Matt Nagy perdeu a paciência de vez com ele e o substituiu por Foles, que garantiu uma inacreditável virada.

Antes do fim de seu ciclo em Chicago, Trubisky ainda teve tempo de voltar a se tornar o titular, mas apenas porque Foles se machucou seriamente. Ao final da temporada, foi cortado do elenco. Recentemente, foi contratado para o Buffalo Bills, mas será o reserva por lá, já que Josh Allen é o quarterback titular e está consolidado na posição dentro da franquia. Ou seja, o Bears apostou muito alto para subir uma posição, por alguém que não rendeu como esperavam.

2004 – Eli Manning e o ranço pela equipe que o escolheu

Eli Manning super animado ao ser escolhido pelo Chargers (foto: USA Today Sports)

Seria impossível fazer um texto sobre as más escolhas no Draft da NFL sem citar a peripécia causada por Eli Manning. Se vocês soubessem o que aconteceu em 2004 ficariam enojados. Não foi feita aqui uma ordem da melhor para a pior seleção entre as citadas nesta publicação, mas a polêmica envolvendo o ex-jogador do New York Giants há 17 anos é algo que estará marcado para sempre na história do Draft.

O ano de 2004 proporcionou a chegada de três grandes quarterbacks da NFL. Além de Eli Manning, naquele Draft, também foram selecionados Ben Roethlisberger, até hoje no Pittsburgh Steelers, e Philip Rivers, que fez carreira no Los Angeles Chargers e pendurou as chuteiras recentemente após uma temporada no Indianapolis Colts. Mas voltamos para Eli, o irmão mais novo de Peyton Manning. Sua carreira universitária, por Ole Miss, o alçou para ser o favorito para a primeira escolha geral do Draft.

Mas quem tinha o direito de ter esta escolha era o então San Diego Chargers. A franquia desejava ter Eli Manning como o seu QB. Porém, o próprio Eli deixou bem claro que não queria ir para lá. O pai do jogador, o ex-quarterback Archie Manning, também interviu em nome do filho para que não houvesse a seleção. Tudo isso irritou profundamente a torcida e a direção do Chargers, que resolveu vingar a afronta do calouro. Na noite do Draft, a franquia de San Diego selecionou Manning como a primeira escolha geral em nome do deboche. O momento foi tão incrível que dá para ver claramente o desconforto do jogador ao segurar a camisa do Chargers.


        

Provavelmente foi o ponto alto na história do Draft. Mas apesar deste fato, Manning só tocou na camisa do Chargers naquele dia. Interessado no jogador, e sabendo que a franquia de San Diego fez a escolha em nome do entretenimento, o New York Giants já tinha feito um acordo com a equipe que escolheu Eli. A solução foi, na quarta escolha geral, a franquia de Nova York escolheu o também quarterback Philip Rivers, e pouco depois do Draft realizou uma troca para ter Eli Manning. Na transição, o Giants enviou uma escolha de terceira rodada, e escolhas de primeira e quinta rodada do Draft de 2005.

Apesar do momento afrontoso, depois da troca, Manning e Rivers acabaram fazendo história por suas respectivas franquias, provando que, independente de toda a questão que envolveu as escolhas de ambos no Draft, eram atletas talentosos. Rivers se tornou titular no Chargers a partir de 2006, e se tornou extremamente identificado com a torcida de San Diego – a ponto de permanecer na cidade mesmo com a mudança da franquia para Los Angeles, em 2017. Apesar de não ter conquistado títulos por lá, se tornou o recordista na franquia em diversas estatísticas, e está eternizado na história do Chargers. Sua última temporada profissional foi em 2020, em que defendeu o Indianapolis Colts.

Já Manning teve uma carreira de maior impacto, e também marcou seu nome na história do Giants. Assumiu a titularidade ainda em 2004, e só perdeu de vez a posição em seu último ano como profissional, em 2019. Antes disso, chegou ao auge e foi bicampeão do Super Bowl, em 2008 e 2012. Ambos os títulos são memoráveis para o atleta, eleito o MVP. 

Haverá mais escolhas ruins no futuro?

Obviamente! Os fatos ditos acima são só alguns dos piores escolhidos pelo Draft da NFL. Como visto, nem todos eram jogadores ruins, mas sim o ato de escolha acabou sendo mais polêmico. Em breve, teremos o Draft de 2021, reunindo futuras grandes histórias, seja de escolhas certeiras ou de seleções que, bem, não darão tão certo assim. E o Left Tackle Brasil estará aqui para contar tudo isso para você, amigo leitor. 

domingo, 14 de março de 2021

Aos 42 anos, Drew Brees anuncia a aposentadoria

Atleta encerra a carreira como recordista em jardas lançadas na história da NFL (foto: USA Today Sports)

Oficialmente, chega ao fim o ciclo de um dos mais importantes quarterbacks da história da NFL. Drew Brees, que desde 2006 era o titular do New Orleans Saints, e que era jogador profissional desde 2001, anunciou sua aposentadoria neste domingo, 14 de março. O agora ex-quarterback da NFL confirmou sua despedida através de um vídeo publicado em sua conta no Instagram, em que seus filhos dão a notícia para todos os fãs do futebol americano.

Na descrição da postagem, Drew Brees disse que após 20 anos na NFL, e 15 anos como jogador do New Orleans Saints, esta era a hora para se retirar do futebol americano. "Até o fim, me cansei de dar tudo de mim mesmo para a organização Saints, meu time e a grande cidade de Nova Orleans. Compartilhamos alguns incríveis momentos juntos, muitos dos quais estão gravados em nossos corações e sempre farão parte de nós. Vocês me moldaram me fortaleceram, me inspiraram, e me deram uma vida inteira de memórias. Minha meta nos últimos 15 anos foi me esforçar para dar para vocês tudo o que vocês me deram e muito mais", explicou.

Brees encerra sua carreira como um atleta consolidado, e que futuramente estará no Hall da Fama da NFL. Individualmente, sai de cena como o recordista na história da NFL em jardas lançadas e em passes completos, além de ser o segundo com mais passes para touchdown de todos os quarterbacks– marca esta que chegou a ter sido dele durante a temporada de 2020, até ser superado por Tom Brady, hoje no Tampa Bay Buccaneers, quando fraturou 11 ossos da costela, desfalcando o Saints por quatro partidas. 

Sua última partida como profissional foi  em 17 de janeiro, quando o New Orleans Saints perdeu justamente para o Buccaneers por 30 a 20. Na ocasião, Brees lançou para um touchdown e três interceptações. O problema de a despedida de um histórico atleta na NFL ser nos Playoffs, é que, se o time deste não for o campeão do Super Bowl, a aposentadoria vem em um jogo perdido. Mas para não termos dúvidas do legado de Brees como quarterback, relembramos aqui o tamanho da sua carreira. O camisa 9, número este que provavelmente será aposentado na franquia de Nova Orleans, teve anos difíceis em seu começo de carreira na NFL, mas uma drástica mudança de ares foi fundamental para mudar o seu futuro, e o futuro do time ao qual defendeu por 15 temporadas.

Nascido em Dallas, estado americano do Texas, em 1979, Drew Brees começou no esporte pelo High School, na região de Austin, no mesmo estado. Cogitou jogar basquete, mas foi no futebol americano em que se encontrou. Quando se formou no ensino médio, foi para a universidade de Purdue tentar a vida no College Football. Entre 1997 e 2000, Brees completou 1026 passes, para 11.792 jardas, 90 touchdowns e 45 interceptações. Em sua vida universitária, até mesmo enfrentou Tom Brady em 1999, que era o QB de Michigan, e saiu derrotado naquele dia.

Os bons números na carreira o alçaram como um dos principais prospectos do Draft de 2001. Mas Drew Brees só foi selecionado na segunda rodada, pelo San Diego Chargers, onde foi reserva em seu ano de calouro. Os maus desempenhos em 2002 e 2003 deixaram a franquia como a pior da NFL, e depois do controverso Draft de 2004, o time adquiriu o novato Philip Rivers. Mesmo assim, Brees seguiu como titular no time, e levou o Chargers aos Playoffs naquela temporada. Porém, em 2005, a franquia então residida em San Diego tentou renovar com Brees ao final daquela temporada. Porém, com Rivers na disputa interna pela posição, o camisa 9 decidiu que era a hora de partir.

E em 2006, depois de o Miami Dolphins ter tentado contratá-lo, Brees escolheu a oferta do New Orleans Saints, time que, até aquele momento não tinha título de Super Bowl, e viveria a temporada de retorno ao Superdome, estádio do time que em 2005 foi utilizado como abrigo para as vítimas do furacão Katrina. E seu primeiro ano na nova cidade marcou o início de uma nova era, com o Saints chegando à final da NFC. 

Nos anos em que se passaram, veio a maestria a cada jogo. Drew Brees se tornou efetivamente um dos quarterbacks de elite da NFL, enquanto o Saints se tornava um símbolo para a reconstrução de Nova Orleans. Em 2009, veio o auge. O quarterback foi peça fundamental para colocar seu time com a melhor campanha da NFC. E na final da conferência, nem mesmo o Minnesota Vikings de Brett Favre foi capaz de impedi-lo a avançar até o Super Bowl, o primeiro da história da franquia. Na decisão, o time bateu o Indianapolis Colts, de Peyton Manning, para conquistar o tão sonhado título da NFL.

O auge de sua carreira foi o título do Super Bowl XLIV, em 2010 (foto: Andy Lyons/Getty Images)

Na década de 2010, Brees se consolidou de vez em números pelo Saints. Em três temporadas nos últimos anos, somou mais de 5 mil jardas lançadas, sendo a de 2016 com o recorde absoluto, com 5.208 jardas. Em 2018, foi o último ano em que o Saints ficou muito perto de retornar ao Super Bowl, se classificando até a final da NFC, até a eliminação no tempo extra contra o Los Angeles Rams. Mas antes disso, a quebra de uma histórica marca. No Monday Night Football da semana 5, contra Washington, Brees superou Peyton Manning com o maior número de jardas passadas na história da NFL. 

Em 2019, Drew Brees completou 40 anos, e na temporada regular, viveu de perto o declínio físico, natural em qualquer atleta de alto nível. Naquele ano, ele perdeu cinco jogos devido a uma lesão na mão. Como o Saints sobreviveu mesmo sem o QB titular, quando Brees voltou, deu tempo para que a equipe conseguisse chegar aos Playoffs como campeã da NFC Sul. Porém, no Wildcard, o time foi derrotado em casa para o Minnesota Vikings.

Nesta última temporada, o camisa 9 precisou se ausentar novamente por conta de uma lesão, desta vez, bem mais séria. Ele fraturou 11 ossos da costela, e ficou de fora por quatro jogos. Voltou nas últimas semanas e contribuiu para mais um título da NFC Sul, até a queda no Divisional Round para o Tampa Bay Buccaneers.

Ainda é incerto o futuro de Brees. Mas ele já garante que ficará na cidade em que o acolheu como um dos maiores quarterbacks da história da NFL. "Estou somente me retirando de jogar futebol americano. Não estou me retirando de Nova Orleans. Isto não é um adeus, mas um novo começo. Agora começa o trabalho da minha vida real", finaliza.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Maratona NFL – Temporada 3, episódio 29 – Comentários finais sobre a temporada 2020/21



Aproveitamos a Quarta-feira de Cinzas para gravar o último Maratona NFL da temporada 2020/21. Se neste ano não tivemos folia por causa da pandemia da Covid-19, fechamos a era que seria das festividades de Carnaval em anos não pandêmicos para o nosso podcast. 

E neste fim de festa, nada de choradeira, ou de lamentações. Encerramos a temporada em grande estilo. Neste podcast, Carlos Oliveira e Ruan Nascimento trazem as últimas notícias ligadas à liga, além de comentar sobre os premiados da temporada que se encerrou no último dia 7 de fevereiro. Nesta semana, Mia Mastrocolo não pôde participar, mas não podia deixar de mencioná-la por sua presença ao longo da temporada, e também por estar na equipe fixa do podcast.

Além de opiniões sobre os melhores da temporada, nossos apresentadores comentaram sobre a demissão de JJ Watt do Houston Texans; e os nossos prêmios, voltados aos melhores ou piores em determinadas categorias, com aquela pitada de humor. Não foi possível comentar sobre a troca do quarterback Carson Wentz para o Indianapolis Colts pelo fato de esta movimentação ter ocorrido após a gravação do programa. O podcast foi gravado na quarta-feira, 17, e a notícia de Wentz saiu na tarde desta quinta-feira, 18.

Ouça o podcast conosco, pelo Spotify, pelo Itunes ou em demais plataformas, através do Anchor. Ou, se preferir, ouça abaixo. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

No dia da vacina, Chiefs e Buccaneers avançam para as finais de conferência

Buccaneers de Tom Brady volta a uma final de conferência após 18 anos (foto: Brett Duke/AP)

É difícil falar deste domingo, 17 de janeiro, sem mencionar o fato de que a vacinação contra a Covid-19 começou no Brasil, dada a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o uso emergencial das vacinas Coronavac e de Oxford, que estão sendo produzidas em nosso país. Mas além desta notícia maravilhosa, e que nos enche de esperanças, este dia foi também de termos a oportunidade de ver mais dois jogos do Divisional Round, a segunda fase dos Playoffs da NFL.

E os dois duelos foram bem marcantes. No primeiro deles, o Kansas City Chiefs venceu o Cleveland Browns, em partida em que os atuais campeões viveram uma dramática situação, sem o quarterback Patrick Mahomes na metade final da partida, dada uma concussão sofrida. E o segundo confronto, o último desta fase, o Tampa Bay Buccaneers bateu o New Orleans Saints fora de casa, em um jogo que pode ter significado o fim da carreira do lendário quarterback Drew Brees, e que permite a Tom Brady a chance de disputar mais uma final de conferência. 

Agora, o Chiefs vai receber o Buffalo Bills em sua casa no próximo domingo, 24 de janeiro, na decisão da AFC. E na final da NFC, o Green Bay Packers, que venceu no sábado, 16, jogará contra o Buccaneers. Os vencedores destes confrontos irão ao Super Bowl LV, agendado para o dia 7 de fevereiro, no Raymond James Stadium, em Tampa, na Florida. Veja abaixo como foram estes dois duelos. 

Leia também: Packers e Bills abrem o Divisional Round com vitória 

Mahomes sofre concussão e, no drama, Chiefs elimina Browns

Reserva do Chiefs, Chad Henne vira herói improvável (foto: Charlie Riedel/AP)


Quem viu o primeiro tempo do jogo entre Kansas City Chiefs e Cleveland Browns, imaginou que o time atual campeão do Super Bowl avançaria para a final de conferência com tranquilidade. Afinal de contas, o placar estava em 19 a 3. Mas no futebol americano, assim como na vida, em um lance, tudo pode mudar. No terceiro quarto, o Chiefs conviveu com o drama de ficar sem o quarterback Patrick Mahomes, diagnosticado com uma concussão. Soma-se isso ao fato de o Browns encostar no placar perigosamente até os minutos finais. Mas ao final de tudo, veio o alívio. Cleveland não conseguiu virar, e Kansas City venceu o jogo por 22 a 17.

Antes da lesão, Mahomes havia passado para 255 jardas e um touchdown, além de ter tido um TD terrestre. A equipe também estava sem o seu principal running back, Clyde Edwards-Helaire, lesionado, e quem mais apareceu correndo com a bola foi Darrel Williams, com 78 jardas. Pelo lado do Browns, Baker Mayfield foi peça importante para comandar a quase recuperação, passando para 204 jardas, um touchdown e uma interceptação.

Logo no começo da partida, o Chiefs teve a primeira campanha ofensiva já mostrando para o que veio. Ora os passes de Mahomes funcionavam, ora as corridas. Na linha de uma jarda, coube ao camisa 15 correr pelo lado direito da linha ofensiva para anotar o primeiro touchdown do jogo – o extra point foi perdido. Logo na sequência, o Browns diminuiu no placar com um field goal do kicker Cody Parkey. 

Em sua segunda posse de bola, entre o primeiro e segundo quarto, o Chiefs ampliou sua vantagem. A jogada foi mais um touchdown, em passe de Mahomes para Travis Kelce. Enquanto isso, o Browns ofensivamente não conseguia avançar muito pelo campo. Aproveitando-se disso, Kansas City voltou a pontuar, agora com um field goal de Harrison Buttker. Nos instantes que antecederam o intervalo, finalmente Cleveland conseguia fazer uma boa campanha. Baker Mayfield começou a conectar grandes passes, até que Rashard Higgins sofreu um inglório fumble na linha de uma jarda. A bola não foi recuperada por ninguém e só saiu de campo depois de entrar na endzone. Pela regra, quando isso acontece, é turnover consumado e o time de defesa começa atacando da linha de 20 jardas em seu próprio campo. E com um erro tão duro, o Chiefs logo aproveitou para anotar mais três pontos, em mais um field goal.

A vantagem de Kansas City era de 19 a 3 no intervalo, e tudo ainda parecia conspirar para a vitória, pois logo no início do terceiro quarto, Mayfield foi interceptado em seu campo de defesa, mas o Chiefs não aproveitou o turnover e Buttker errou sua tentativa de field goal. Na sequência, o Browns se recuperou até que finalmente veio o primeiro touchdown, com Mayfield lançando a bola para Jarvis Landry.

Depois disso, veio o drama para o Chiefs. Em uma terceira descida curta, Mahomes foi correr com a bola para garantir o first down. No tackle sofrido, bateu a cabeça e claramente não parecia estar saudável. Imediatamente foi retirado de campo para o protocolo de concussão. Assim, entrou em campo Chad Henne, o reserva, até o restante da partida. Nesta posse de bola, a equipe pontuou com mais um field goal, pois o jogo terrestre fluiu. 

No último período, o Browns protagonizou uma longa campanha, alternando entre passes e corridas, até o touchdown terrestre. O jogo ficava em uma posse de bola. Parecia que o momento todo seria de Cleveland, pois na posse de bola seguinte, Chad Henne, tentando se consagrar com um touchdown com o Chiefs em área de field goal, lançou um passe imenso para ser interceptado. Porém, a defesa de Kansas City funcionou, e impediu que o Browns capitalizasse o turnover com pontos. Quando os atuais campeões do Super Bowl recuperaram a posse, nunca mais a perderam, mas não sem antes ter mais drama. Na jogada seguinte ao Two Minute Warning, quando o relógio para faltando dois minutos para o fim, o Chiefs tinha uma terceira descida para 14 jardas, e Henne quase a converteu. O lance seguinte, uma quarta descida em seu campo de defesa, foi a jogada derradeira, com o quarterback reserva lançando um passe curto para Tyrek Hill, curto, mas suficiente para a jogada da vitória por 22 a 17.


Será a terceira final de conferência consecutiva do Kansas City Chiefs, que tenta em 2021 o seu terceiro título de Super Bowl, o segundo de forma consecutiva. A preocupação agora é com a situação de Mahomes. Por estar com concussão, um médico independente avaliará o atleta diariamente. É incerto dizer neste momento se o camisa 15 jogará a próxima partida.

Brady comanda virada do Buccaneers, e vai para a sua 14ª final de conferência

Brady passou para dois touchdowns e também correu para um TD

Tom Brady tem 43 anos de idade. Por mais consagrada que já seja sua carreira, chega a um nível insano o fato de ele seguir como um dos melhores quarterbacks da NFL na atualidade com mais de 20 anos de carreira profissional. E neste domingo, liderando o Tampa Bay Buccaneers, foi o principal destaque na vitória por 30 a 20 sobre o New Orleans Saints. Brady passou para 199 jardas e dois touchdowns, e também correu para um TD. Com a vitória, o jogador irá para a sua 14ª final de conferência na carreira. Se o camisa 12 fosse uma franquia da NFL, ele seria o quarto com mais presença no jogo que antecede o Super Bowl, atrás de Pittsburgh Steelers (16), San Francisco 49ers (16) e New England Patriots (15).

Além da classificação do time de Tampa, o jogo pode ter marcado o fim de uma era na National Football League. Ainda não está confirmado, mas provavelmente foi o último jogo da carreira de Drew Brees, o quarterback do New Orleans Saints. Segundo Adam Schefter, da ESPN dos Estados Unidos, o atleta penduraria as chuteiras após o final da temporada de 2020/21. Com 41 anos, Brees teve uma atuação difícil, passando para 134 jardas, um touchdown e três interceptações.

Desde o início, o jogo se mostrou bastante equilibrado. Quem abriu o placar foi o Saints, com um field goal de Will Lutz, pouco depois de um grande retorno de punt de Deonte Harris. Na posse de bola seguinte, New Orleans ampliou, novamente com um field goal. Já no início do segundo quarto, o Buccaneers teve seus primeiros pontos garantidos, também através de um chute, por Ryan Succop. A equipe de Tampa virou o jogo depois da primeira interceptação lançada por Drew Brees, que quase virou pick six. Na jogada seguinte, veio o primeiro touchdown, em passe curto de Tom Brady para Mike Evans. 

Logo depois, o Saints virou o jogo. Sem Taysom Hill, o famoso quarterback reserva versátil, que é um verdadeiro faz tudo em New Orleans, o time fez das suas graçolas com outro QB. Jameis Winston entrou em campo em uma jogada para lançar um passe de 56 jardas ao wide receiver Tre'Quan Smith, e assim virar no placar. Antes do intervalo, houve tempo ainda para o Buccaneers empatar, novamente através de um field goal.

Já no terceiro quarto, o Saints voltou à liderança no placar com um touchdown, agora com Drew Brees fazendo o passe para Tre'Quan Smith. Na posse de bola seguinte, mesmo quando o Saints ainda vencia, a equipe passou a conviver com os turnovers. Brees fez o passe para Jared Cook, que sofreu fumble. Pouco depois do turnover, o Buccaneers empatou o jogo, com passe curto de Tom Brady para o running back Leonard Fournette.

Nos 15 minutos finais, veio a virada da equipe de Tampa, com mais um field goal. Ainda teria muito tempo de jogo pela frente, mas o equilíbrio que se viu durante todo o confronto não foi visto no quarto período. Drew Brees lançou sua segunda interceptação, o que deixou o Buccaneers na linha de 20 jardas. Pouco depois, o time visitante ampliou sua vantagem, com Brady fazendo a famosa "QB sneak", quando o próprio quarterback dá a cara à tapa e avança sobre a linha ofensiva para tentar ganhar poucas jardas.

Ainda houve uma última posse de bola para o Saints, que também terminou com interceptação de Drew Brees, que ficou visivelmente abatido, já que poderia ser seu último jogo como profissional. Com o turnover, o Buccaneers foi ganhando jardas o suficiente até deixar o relógio zerar. 

Com a vitória, o Tampa Bay Buccaneers volta a uma final da NFC após 18 anos. Na última vez em que disputaram a decisão da Conferência Nacional, chegaram ao Super Bowl XXXVII, em 2003. Além disso, a equipe de Tampa tentará ser a primeira na história a jogar o Super Bowl em sua casa.

Finais de conferência serão no dia 24

Agora restam apenas mais quatro equipes na disputa pelo Super Bowl LV. No próximo domingo, 24 de janeiro, ocorrerão as decisões das duas conferências. Na NFC, Green Bay Packers e Tampa Bay Buccaneers abrem os trabalhos, e entram em campo às 17h05 (horário de Brasília). A decisão da AFC será na sequência, às 20h40, entre Kansas City Chiefs e Buffalo Bills.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Juventude x Experiência: o que divide os quarterbacks titulares destes Playoffs

Drew Brees e Tom Brady farão o duelo entre os quarterbacks mais velhos da história da NFL (foto:Butch Dill/AP) 

Passado o Wildcard, chega a hora de apreciarmos o Divisional Round, as semifinais das conferências da NFL, na segunda fase dos Playoffs da temporada de 2020/21. Agora, apenas oito dos 32 times da liga ainda estão vivos nos Playoffs, na luta para saber quem ganhará o Super Bowl LV, em 7 de fevereiro. 

E antes dos confrontos destes dias 16 e 17 de janeiro, algo chama a atenção se olharmos pela ótica dos quarterbacks titulares, destacando principalmente pela idade dos jogadores da principal função de ataque. Os QBs que jogam pelos times da AFC têm média de idade de 24,5 anos, enquanto os titulares da NFC têm a média de idade em 36,75 anos. Ou seja, é possível que o próximo Super Bowl seja um duelo entre juventude versus experiência nesta posição.

Mas claro, pode haver uma exceção. A média de idade da NFC é alta, mas Jared Goff, o jogador do Los Angeles Rams, tem 26 anos. Ele faz esta média cair, na comparação com Aaron Rodgers (37), do Green Bay Packers; Drew Brees (41), do New Orleans Saints; e Tom Brady (43), pelo Tampa Bay Buccaneers. Já na AFC, a situação é completamente oposta. O quarterback mais velho é Baker Mayfield, do Cleveland Browns. Ele tem 25 anos, assim como Patrick Mahomes, do Kansas City Chiefs, e Josh Allen, do Buffalo Bills. O mais novo é Lamar Jackson, que tem 24 anos.

Por isso, vamos conhecer um pouco sobre cada um destes QBs. De um lado, todos jovens, com três ou quatro temporadas como profissionais. Do outro, três experientes nomes graúdos, já consagrados em suas carreiras e que certamente irão ao Hall da Fama após suas aposentadorias, e Jared Goff – Goff é um ano mais velho que Mayfield, mas como está do lado dos experientes, falaremos dele sob o olhar que pode destronar os mais velhos nesta pós-temporada.

Os jovens da AFC

Enquanto Mahomes já tem um Super Bowl, Mayfield está em seu primeiro ano nos Playoffs (foto: Ken Blaze/USA Today Sports)

Começamos por Patrick Mahomes. Foi ele o cara responsável pelo título do Kansas City Chiefs no ano passado, 50 anos depois da conquista anterior, lá em 1970. Mahomes também é o QB mais experiente entre os remanescentes da AFC, pois chegou à NFL em 2017 – apesar de só ter virado titular em definitivo em 2018. O jogador já foi o MVP da NFL, e nas duas últimas temporadas, em ambas foi até a final da conferência, sendo, claro, o desempenho em 2019/20 tido como o melhor, na qual a franquia de Kansas City levou o tão sonhado Troféu Vince Lombardi.

Entre os demais semifinalistas da Conferência Americana, temos um estreante em Playoffs: Baker Mayfield. O jogador do Cleveland Browns foi o primeiro a ser escolhido no Draft em 2018, aquele em que cinco QBs foram selecionados na primeira rodada – sendo três deles semifinalistas da AFC. Mayfield liderou o Browns para uma histórica recuperação. A franquia, que por anos ficava entre as piores de toda a NFL, foi evoluindo aos poucos, até chegar ao grande desempenho nesta temporada de 2020/21. Mayfield atingiu o maior rating da carreira, passando para 26 touchdowns e oito interceptações. O avanço de Cleveland até este Divisional, com direito à épica vitória sobre o Pittsburgh Steelers, também tem o mérito do setor defensivo, um dos mais consistentes da liga na atualidade.

Selecionados em 2018 no Draft, Lamar Jackson e Josh Allen vivem bom momento na carreira (foto: John Munson/AP)

Lamar Jackson, do Baltimore Ravens, chega ao Divisional Round após ter quebrado um importante tabu, o da primeira vitória na pós-temporada. O camisa 8 de Baltimore também chegou na NFL em 2018, e foi à pós-temporada em todos os seus três anos como profissional. Mesmo sendo o MVP de 2019, Jackson convivia com a situação de não ter vencido ainda um jogo de Playoff. Isso acabou após a grande atuação contra o Tennessee Titans, na vitória por 20 a 13. E agora, ele e sua equipe tentarão ir ainda mais além neste final de temporada.

Finalizando na era dos jovens QBs da AFC, falamos de Josh Allen, do Buffalo Bills. Ele vive a melhor fase de sua carreira até agora. Na temporada regular, Allen passou para 4544 jardas, 37 touchdowns e dez interceptações. O jogador do Bills é um dos candidatos a ser o MVP da temporada de 2020 (o anúncio só será divulgado na véspera do Super Bowl, e a votação não avalia o desempenho nos Playoffs). A equipe de Buffalo tem no jogador a esperança de voltar a ir a um Super Bowl depois de 27 anos.

Os veteranos da NFC

Jared Goff é o único jovem entre os QB's remanescentes da NFC, e é 11 anos mais novo que Aaron Rodgers (foto: Jamie Han/Los Angeles Rams)

Do lado da Conferência Nacional, três dos quarterbacks já ganharam um Super Bowl, e o quarto deste grupo já esteve em uma decisão. Começamos aqui pelo atleta com mais títulos na história: Tom Brady. Depois de seus seis títulos no New England Patriots, Brady pegou as malas e desembarcou no Tampa Bay Buccaneers fazendo mais uma excelente temporada. Foram 4633 jardas lançadas, 40 touchdowns e 12 interceptações, liderando o Buccaneers para retornar à pós-temporada após 13 anos. Aos 43, Brady superou Drew Brees como o recordista em passes para TD na história da NFL, com 581. Até o final desta temporada, o jogador luta para ampliar o seu recorde em títulos de Super Bowl, o que o colocaria como o segundo QB na história a vencer o Super Bowl por dois times diferentes.

O segundo mais velho entre os quarterbacks da NFC é Drew Brees, do New Orleans Saints. Assim como Tom Brady, Brees irá para o Hall da Fama quando se aposentar. Neste ano, o camisa 9 de New Orleans precisou se ausentar por alguns jogos devido à múltiplas fraturas na costela. Mas Brees voltou, e com ótima atuação no Wildcard, contra o Chicago Bears. Ainda é incerto saber se contra o Tampa Bay Buccaneers, Brees terá uma atuação tão boa quanto no jogo anterior. Agora, vale a pena acompanhar cada jogo do Saints nestes Playoffs, pois há a possibilidade de que ele se aposente ao final da temporada.

Agora falamos de Aaron Rodgers, favorito ao prêmio de MVP da temporada, por ser o principal nome do melhor time da NFC na temporada regular. Rodgers passou para 48 touchdowns e apenas cinco interceptações, sendo o principal nome das 13 vitórias e três derrotas do Green Bay Packers na temporada regular. O camisa 12 já foi duas vezes o melhor jogador da NFL, e tem um título de Super Bowl. Rodgers continua jogando o fino da bola, e está em condições de protagonizar excelentes partidas por mais algum tempo. 

O último deste grupo é Jared Goff. O jogador tem 26 anos, e está apenas em sua quinta temporada como profissional. Pode ser considerado o "peixe fora d'água" no grupo dos veteranos, é verdade. Mas por estar na NFC, ele entra junto aqui. Goff chegou na NFL em 2016, e já tem uma ida ao Super Bowl, em 2019, apesar de, naquela ocasião, ter perdido o jogo e sem uma boa atuação. O jogador é o único dos quarterbacks da NFC que pode destronar os atletas mais experientes na disputa pela conferência.

Duelos do Divisional Round prometem

Neste sábado e domingo, dias 16 e 17 de janeiro, teremos os quatro jogos do Divisional Round, as semifinais das conferências da NFL. No sábado, às 18h35, tem Green Bay Packers e Los Angeles Rams, e às 22h15, é a vez de Buffalo Bills e Baltimore Ravens. A rodada dupla de domingo começa com Kansas City Chiefs e Cleveland Browns, às 17h05. E depois, às 20h40, é a vez de New Orleans Saints e Tampa Bay Buccaneers.

Para esta semana, a boa notícia é que zero casos positivos de Covid-19 foram detectados nos atletas da NFL. Isso significa que, fora as lesões, nenhum dos oito times sobreviventes na atual temporada jogará desfalcado por causa da pandemia. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Maratona NFL – Temporada 3, episódio 23 – Expectativas para os duelos do Divisional Round


 

Chegamos a mais uma edição do Maratona NFL. Nesta semana, Carlos Oliveira e Ruan Nascimento discutiram os principais assuntos envolvendo a National Football League nos últimos dias, com destaque principal para os Playoffs, que começaram no final de semana passado, através da rodada de Wildcard.

Além disso, os apresentadores debateram também sobre os próximos confrontos, do Divisional Round, marcados para sábado e domingo, dias 16 e 17 de janeiro. A expectativa é para grandes duelos, que definirão quais equipes disputarão as finais de conferência. 

Fora a pauta dos classificados, entre os outros assuntos, o podcast comenta sobre a saída do técnico Doug Pederson, que foi demitido do Philadelphia Eagles na segunda-feira, 11 de janeiro. Ainda sobre o comando nas franquias eliminadas para 2021, o Jacksonville Jaguars anunciou seu novo treinador. Será Urban Meyer, que nunca treinou um time da NFL, mas que conquistou três vezes o título nacional do College Football, dois pela universidade da Florida e um por Ohio State. 

Pouco depois da gravação do podcast, o New York Jets também confirmou seu novo head coach. A franquia contratou Robert Saleh para o cargo. Saleh era o coordenador defensivo do San Francisco 49ers até a temporada de 2020, e deixa a função para assumir o comando principal da equipe de Nova York.

E fora da pauta da NFL, mas sendo uma pauta de profunda importância para a sociedade, durante o podcast, também prestamos nossa solidariedade à todos os habitantes de Manaus, no Amazonas, pela grave situação vivida. Nesta quinta-feira, 14, as unidades de saúde que atendem pacientes internados com Covid-19 ficaram sem oxigênio, em uma situação em que obriga a transferência dessas pessoas para outros estados. A capital amazonense enfrenta um novo colapso no seu sistema de saúde, ainda mais grave que o que vivido em abril do ano passado. No Brasil, a pandemia do novo coronavírus atingiu novamente o recorde de novos casos diários, de acordo com a média móvel dos últimos sete dias, apurada pelo consórcio de veículos de imprensa. 

Ouça o Maratona NFL conosco, pelo Spotify, ou em demais plataformas, pelo Anchor. Ou, se preferir, ouça abaixo. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Ravens, Saints e Browns fecham o Wildcard com vitória, e permanecem vivos nos Playoffs

Vitória acachapante do Cleveland Browns marcou a rodada de domingo (foto: Getty Images)

Neste domingo, 10 de janeiro, três jogos completaram o Wildcard da NFL, encerrando a super maratona de 18 horas de puro futebol americano nos seis duelos realizados neste final de semana. Baltimore Ravens, New Orleans Saints bateram Tennessee Titans, Chicago Bears e Pittsburgh Steelers.

Os três vencedores se juntam a Buffalo Bills, Los Angeles Rams e Tampa Bay Buccaneers, que haviam vencido no sábado, 9. Além deles, permanecem vivos nos Playoffs da NFL o Kansas City Chiefs e o Green Bay Packers. Ambos foram os melhores em suas respectivas conferências, e por isso folgaram neste final de semana. Os próximos confrontos da pós-temporada serão os do Divisional Round, as semifinais de conferência, nos dias 16 e 17 de janeiro. 

Confira abaixo como foram cada uma das partidas deste domingo. Teve jogo equilibrado, teve uma vitória mantida sob controle e também uma surra histórica, que proporcionou a queda de diversos tabus. Leia na sequência!

Ravens vence Titans fora de casa, na primeira vitória de Lamar Jackson nos Playoffs

Lamar Jackson vinga a derrota sofrida no ano passado (foto: Mark Zalescki/St Joseph News Press)

A rodada de domingo começou com o Baltimore Ravens levando a melhor sobre o Tennessee Titans, pelo placar de 20 a 13. O resultado é a revanche da equipe de Baltimore sobre Tennessee, já que no ano passado, ambos se enfrentaram nos Playoffs, com vitória do Titans. O principal destaque da partida foi o quarterback Lamar Jackson, do Ravens, que passou para 179 jardas e correu para 136 jardas e um touchdown, apesar da interceptação lançada. Foi a primeira vitória de Jackson na pós-temporada em sua carreira.

O jogo também se destaca pela atuação defensiva do Ravens, que depois de tomar um susto no primeiro quarto, melhorou em campo e impediu o Titans de fazer um grande jogo ofensivo. O running back Derrick Henry, que correu na temporada regular para 2027 jardas, teve neste Wildcard apenas 40 jardas terrestres. E o quarterback Ryan Tannehill passou para 165 jardas, um touchdown e uma interceptação.

Nos primeiros minutos, a situação começou favorável à equipe do Tennessee, que jogava em casa na pós-temporada pela primeira vez desde a temporada 2008/09. O time abriu o placar com o touchdown de Tannehill para o wide receiver AJ Brown. Na sequência, a defesa interceptou Lamar Jackson, permitindo alguns minutos depois que o Titans ampliasse com um field goal do kicker Stephen Gostkowski.

A partir do segundo período, o Ravens se recuperou do susto e passou a controlar o jogo, ofensiva e defensivamente. Apesar disso, a primeira pontuação de Baltimore foi com um field goal de Justin Tucker. Porém, na sequência, Lamar Jackson fez uma grande corrida de 48 jardas para anotar um touchdown e empatar a partida, que foi para o intervalo com o placar de 10 a 10.

Com quase seis minutos de posse de bola no início do terceiro quarto, o Ravens virou no placar com um touchdown corrido pelo running back JK Dobbins. Enquanto isso, o Titans não conseguia fazer nada e o melhor momento no período foi ter anotado mais um field goal, com o jogo ainda mantido em uma posse de bola. Já no último quarto, Baltimore avançou bem, não só no jogo terrestre mas também com passes de Lamar Jackson. Mas a campanha terminou frustrante com um atípico erro de Justin Tucker no field goal. Como Tennessee não conseguiu sequer diminuir no placar, o Ravens teve outra chance de ampliar no marcador. E desta vez, Tucker não errou o chute. Ainda houve tempo para a defesa de Baltimore interceptar Ryan Tannehill nos instantes finais, definindo assim o jogo em 20 a 13.

Com tranquilidade, Saints elimina Bears 

Brees teve ótima atuação, naquela que pode ser sua última temporada como profissional

Segundo colocado na NFC, o New Orleans Saints venceu o Chicago Bears no Mercedes-Benz Superdome por 21 a 9. Apesar da vitória, o Saints teve algumas dificuldades por boa parte do confronto, em especial com o seu ataque. Porém, a defesa foi bastante segura o tempo inteiro, permitindo que, na metade final da partida, New Orleans conseguisse uma sólida vantagem. 

Possivelmente em sua última temporada como profissional, Drew Brees fez um bom jogo, passando para 265 jardas e dois touchdowns. Recuperado da Covid-19, o running back Alvin Kamara teve também uma ótima atuação. Ele correu para 99 jardas e um TD. Por outro lado, o quarterback do Bears, Mitchell Trubisky teve uma atuação bastante ruim. Passou para 199 jardas e um touchdown, mas estes números foram inflados pela última campanha ofensiva de Chicago, com o jogo já decidido. O Bears, inclusive, só converteu uma vez uma terceira descida, justamente quando não havia mais como se recuperar no placar.

Não dá para não mencionar o lado entretenimento deste jogo. A CBS, emissora que exibiu o jogo nos Estados Unidos, fez uma parceria com a Nickelondeon, canal infanto-juvenil que também tem no Brasil. Enquanto a primeira emissora exibia a partida normalmente, a segunda colocava efeitos de animação em tempo real durante as jogadas, como uma chuva de slime a cada touchdown, e o field goal na forma do Bob Esponja.

 

Voltando ao confronto, o Saints abriu o placar com um touchdown, em passe de Drew Brees para Michael Thomas. O time ficou perto de ampliar a vantagem até o erro de field goal do kicker Will Lutz. Mais um erro veio na sequência, quando o quarterback reserva de New Orleans, Taysom Hill, entrou em campo para uma jogada e sofreu fumble. O turnover permitiu a única pontuação do Bears no primeiro tempo, com o field goal do kicker Cairo Santos.

Até o terceiro quarto, o jogo permanecia equilibrado, com o placar em 7 a 3 para o Saints. O ataque de New Orleans pouco conseguia fazer ante a forte defesa de Chicago. Porém, no ataque, o Bears se complicava com jogadas que não rendiam grandes avanços. Quando a defesa do time visitante cansou, o Saints aproveitou para ampliar a vantagem, com o passe de Drew Brees para Latavius Murray. No último período, veio mais um TD, agora em corrida de Alvin Kamara, definindo a partida. Com o jogo decidido, o Bears conseguiu o seu único touchdown, em passe de Trubisky para Jimmy Graham com o cronômetro zerado.

Browns trucida Steelers no primeiro quarto, e quebra uma infinidade de tabus com sua vitória

Foram 28 pontos anotados apenas no primeiro quarto (foto: Getty Images)

A saga do Cleveland Browns nas últimas semanas pode ser digna de estar em um livro. Desde a semana 16, o time conviveu com testes positivos de Covid-19, causando alguns desfalques. Mesmo assim, o Browns se classificou aos Playoffs pela primeira vez em 18 anos – era o time da NFL com a maior ausência da pós-temporada. Quando tudo poderia ser festa, a pandemia novamente deu suas caras nas instalações do time, afastando mais jogadores e o técnico, Kevin Stefanski, que testou positivo. Cleveland ficou sem treinar praticamente a semana inteira para o confronto com o Pittsburgh Steelers. Seu sonho de vencer no Wildcard aparentemente estava distante. 

Mas a realidade foi outra. Todo brasileiro lembra dos 7 a 1 aplicados pela Alemanha no Brasil em plena semifinal da Copa do Mundo de 2014, no Mineirão. Neste domingo, o Cleveland Browns fez algo semelhante ao seu maior rival de divisão, apesar de, diferente da Seleção Brasileira, o Steelers ainda ter tentado reagir. No primeiro quarto, Cleveland abriu 28 a 0, e dominou ofensiva e defensivamente em pleno Heinz Field. Nos quartos seguintes, mesmo com Pittsburgh pontuando, o Browns não deixou os rivais encostarem, e a vitória foi de 48 a 37. Foi a primeira vitória do time de Cleveland nos Playoffs desde 1995, em época em que a equipe era treinada por Bill Bellichick.

O jogo mal começou e já teve touchdown. Uma falha do center Maurkice Pouncey no primeiro snap do Pittsburgh Steelers virou TD logo de cara, pois a bola passou direto pelo quarterback Ben Roethlisberger até cair na endzone e a defesa do Browns anotar o touchdown. Na posse de bola seguinte, Big Ben lançou uma interceptação no campo de defesa, e três jogadas depois, o quarterback do Browns, Baker Mayfield, lançou um belo passe de 40 jardas para Jarvis Landry anotar um touchdown. Depois disso, o Browns conseguiu o seu terceiro TD. E ainda no primeiro período, veio o quarto touchdown, algumas jogadas depois de Roethlisberger pela segunda vez. Todo mundo viu em choque o primeiro período, que terminou 28 a 0 para Cleveland, que se tornava o primeiro time na história dos Playoffs da NFL a abrir este placar nos primeiros 15 minutos.

No segundo quarto, tudo pareceu ficar mais tranquilo, até ter mais uma interceptação de Ben Roethlisberger. Como o ataque do Browns deu uma diminuída no ritmo, Pittsburgh, enfim, anotou o seu primeiro touchdown, dando um leve sinal de recuperação, em corrida curta de James Conner. Não demorou muito e o Browns conseguiu fazer mais um TD, agora em passe de Mayfield para Austin Hooper. Com pouco tempo para o intervalo, o Steelers diminuiu com um field goal do kicker Chris Boswell. 

A vantagem do Browns foi se pulverizando no terceiro período, quando ataque e defesa afrouxaram, dando vida ao ataque do Steelers. Roethlisberger fez dois passes para touchdown neste quarto, um para Eric Ebron e o outro para JuJu Smith-Schuster. Com 12 pontos de diferença, o que parecia improvável passou a ser uma possibilidade para Pittsburgh, até que uma decisão de chutar um punt no início do último período, em um momento em que Cleveland estava inerte no ataque, mudou tudo.

Mal começou o último quarto e Baker Mayfield lançou para mais um touchdown, em passe curto para Nick Chubb, que avançou 40 jardas até a endzone. Foi um sinal claro de que Cleveland não iria afrouxar para perder. Mesmo assim, o Steelers seguiu lutando bravamente, e Roethlisberger lançou para mais um touchdown, para Chase Claypool. O Browns colocou mais três pontos no placar com um field goal de Cody Parkey, e a defesa apareceu para o turnover derradeiro, vindo de Sione Takitaki. Com o turnover, Cleveland anotou mais três pontos, e na garbage time, o Steelers finalizou sua participação com outra recepção para TD de Chase Claypool.

Com a vitória por 48 a 37, o Browns terá o quarterback mais velho a jogar o Divisional Round na AFC, pois Baker Mayfield tem 25 anos e os demais QBs da conferência também são jovens. Mayfield passou para 263 jardas e três touchdowns. Já Roethlisberger, que teve um começo de jogo terrível, acabou passando para 501 jardas e quatro TDs, mas as quatro interceptações custaram muito caro.

Definidos os confrontos do Divisional Round

Agora, restam apenas oito equipes na disputa para ir ao Super Bowl LV, no dia 7 de fevereiro, no Raymond James Stadium, em Tampa, na Flórida. Na próxima semana, serão realizados os confrontos do Divisional Round, as semifinais das conferências. Veja as datas abaixo:

Sábado, 16/1

18h35 – Green Bay Packers x Los Angeles Rams

22h15 – Buffalo Bills x Baltimore Ravens

Domingo, 17/1

17h05 – Kansas City Chiefs x Cleveland Browns

20h40 – New Orleans Saints x Tampa Bay Buccaneers

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Maratona NFL – Temporada 3, episódio 22 – Prévia do Wildcard, Browns afetado pela pandemia e problemas em Houston



Depois de uma semana de pausa, o Maratona NFL, o nosso podcast feito em parceria entre Ruan Nascimento, Carlos Oliveira e Mia Mastrocolo, volta com tudo para analisar a rodada de Wildcard, que é a abertura dos Playoffs da NFL.

No programa, os apresentadores discutiram sobre cada um dos confrontos da liga, dando palpites em cada um dos seis jogos que abrem os mata-matas da temporada 2020/21 (o calendário estará ao final deste texto). Além de reforçar a preocupação com o Cleveland Browns, que irá para o seu jogo contra o Pittsburgh Steelers sem diversos jogadores, infectados por Covid-19, incluindo o técnico Kevin Stefanski. A equipe está sem treinar desde o último domingo, quando venceu justamente o Steelers na semana 17, pelo placar de 24 a 22, confirmando o seu retorno aos Playoffs desde a temporada 2002/03.

Leia também: o que esperar dos seis confrontos de Wildcard

Entre outros assuntos, o podcast comenta as demissões de técnicos após o final da temporada, casos de Los Angeles Chargers, Jacksonville Jaguars e New York Jets, que estão à procura de substitutos. E também, o programa repercute o clima pesado que há no Houston Texans há alguns dias. A equipe contratou Nick Caserio para o cargo de general manager, e o quarterback Deshaun Watson não gostou da decisão. Segundo o repórter da NFL Ian Rapoport, Watson queria que o elenco fosse ouvido pela direção da franquia para a escolha do novo GM, o que não aconteceu. O próprio QB registrou seu descontentamento pelo Twitter.

E também, no começo do programa, deixamos a nossa solidariedade às famílias e amigos dos mais de 200 mil brasileiros que morreram de Covid-19. O podcast foi gravado no dia 7 de janeiro, data em que o Brasil atingiu esta triste marca, e ainda com a desesperança de não sabermos quando a vacinação começa no País, e com alta média de novos casos e óbitos.

Ouça o Maratona NFL conosco, pelo Spotify, Apple Podcasts e em demais plataformas, pelo Anchor. Ou, se preferir, pode acompanhar logo abaixo.